Alta pode desestabilizar economia
Ed Crooks
Do Financial Times
Uma das maiores preocupações causadas pelo bug do milênio foi a de que ele poderia perturbar os suprimentos de energia. Empresas e autoridades estão recebendo um desconfortável lembrete sobre o papel do petróleo no coração das atividades econômicas. Às vezes dizem que o mundo moderno funciona à base de informação, não de petróleo. Este ano pode ser o momento de prova para essa alegação. As forças que estão conduzindo a alta nos preços do petróleo resultam de uma interseção entre oferta e procura, que se mostra atualmente bastante favorável aos produtores.
O ganho de força da economia mundial conduziu a um aumento na demanda, enquanto a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) vem conseguindo, desde fevereiro passado, manter-se firme em seu acordo de limitação da produção. A mais recente pressão nos preços surgiu depois que a Arábia Saudita sugeriu que não via motivos para expandir a produção no final de março. O resultado foi o salto do barril do tipo brent para US$ 27,11. Depois do anúncio, o governo dos Estados Unidos aparentemente decidiu que não podia mais ficar apenas assistindo.
Bill Richardson, secretário da Energia dos Estados Unidos, vai se reunir com representantes dos governos do México e da Venezuela ainda neste mês e visitará a Arábia Saudita em fevereiro. O governo dos Estados Unidos está preocupado em dois níveis diferentes, diz Heather Rowland, estrategista de petróleo na Warburg Dillon Read de Nova York. Primeiro temos a reação política dos consumidores, especialmente preocupante em um ano eleitoral, e também a possível inflação.
O professor Andrew Oswald, da Universidade de Warwick, na Inglaterra, indica que existe uma correlação considerável entre os preços do petróleo e o nível de desemprego nos Estados Unidos. As três recessões mundiais das três décadas passadas na metade dos anos 70, começo dos 80 e começo dos 90 foram todas precedidas por fortes altas nos preços do petróleo. Pessoas e energia fazem tudo que existe no mundo, diz ele. Oswald alega que quando o petróleo se torna mais dispendioso, os salários reais precisam cair para que as empresas restaurem suas margens de lucro.
Para causar uma queda nos salários, é preciso que o desemprego aumente. Assim, um choque do petróleo conduziria tanto a uma alta da inflação quanto a um desemprego mais alto.





