Alta oferta prejudica a suinocultura
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quinta-feira, 14 de junho de 2012
Ricardo Maia <br> <br> Reportagem Local 
O aumento da oferta de suínos no mercado interno e as restrições das exportações da carne, principalmente pela Argentina, tem sido motivo de preocupação para a suinocultura brasileira. Com o declínio da demanda, muitos produtores estão deixando de vender e se endividando.
De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Dias Lopes, para complicar ainda mais a vida do produtor, a produção elevada vem pressionando os preços do produto para baixo. Segundo o dirigente da entidade, hoje o custo de produção no Brasil varia de R$ 2,40 a R$ 2,50. Já o valor pago ao produtor está entre R$ 1,70 e R$ 1,90, dependendo da região. ''Com esse deficit, muitos produtores não estão conseguindo pagar os seus financiamentos'', aponta. ''Estamos com um excesso de produção, em torno de 3,5 milhões de toneladas de carne, o que também é ruim para o setor'', salienta.
A compra de insumos, completa Lopes, continua sendo o principal motivador para petição de empréstimos. Dados da ABCS apontam que, somente na região Sul, a diferença entre o custo de produção e o valor de mercado pago pelos animais tem trazido um prejuízo aos produtores de R$ 70 por cabeça. O presidente da entidade completa que o problema tem se intensificado há um ano e meio, quando os preços das commodities começaram a se elevar.
Francisco Simioni, chefe de economia do Departamento de Economia Rural, da Secretaria Estadual de Agricultura e do Abastecimento (Seab), destaca que a situação da suinocultura tanto no Paraná, quanto no resto do Brasil, está complicada. Porém, ele frisa que ainda não estamos em um cenário de crise. ''No nosso Estado não temos um endividamento em massa, somente em casos isolados.'' Porém, Simioni enfatiza que medidas emergenciais devem ser adotadas para que isso não aconteça.
O presidente da ABCS destaca que a possível prorrogação das dívidas dos produtores quanto à infraestrutura das granjas e custeio da produção devem ser priorizadas. ''Temos que ter mais recursos do governo, principalmente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social'', observa Lopes. Além disso, o presidente sublinha que a indústria também deve ajudar nesse processo, melhorando os preços pagos aos produtores. ''Sem dinheiro, muitos podem sair do setor produtivo''.
Insumos
O preço do farelo de soja de janeiro a maio deste ano no atacado registrou uma alta de 35%, com o valor do produto comercializado no último mês a R$ 835,97 a tonelada, segundo o último levantamento do Deral. Para os produtores de soja, esse aquecimento têm sido positivo, mas para a suinocultura esse cenário representa grandes preocupações devido ao aumento nos custos de produção, já que o farelo de soja é a principal fonte de proteína dos animais.
Setor
Hoje o Brasil possui 54 mil produtores. O Paraná tem o terceiro maior rebanho do País, com 5 milhões de cabeças, ficando atrás do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Só no ano passado, o Estado produziu 629 mil toneladas. De acordo com Simioni, economista do Deral, a suinocultura participa com R$ 2,31 bilhões do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do Paraná. Só em exportação, em 2011, o Estado enviou 61 mil toneladas de carne suína, volume que representa 11% do volume total brasileiro.



