Brasília- O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), fundação pública federal vinculada ao Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Márcio Pochmann, afirmou ontem que a elevação da taxa básica de juros, a Selic, pelo Banco Central (BC), anunciada ontem à noite, pode interromper o ciclo de investimentos em curso no Brasil, repetindo-se o que já ocorreu em 2004 e havia acontecido no Plano Real.
''O juro pode ter um efeito de desacelerar a inflação, mas pode ter efeito maior, negativo, sobre a produção, os investimentos e a sociedade'', declarou Pochmann, em entrevista após participar de audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, no Senado.
Pochmann disse que a decisão de elevar os juros indica que, na avaliação do BC, há uma inflação de demanda - cenário reforçado pela alta do superávit primário (economia que o governo faz para pagamento de juros da dívida). Mas o presidente do Ipea discorda dessa avaliação: ''Particularmente, acho que a inflação é de custos, é importada.'' Ele afirmou que esse tipo de surto inflacionário não se combate com a elevação da taxa de juros, mas com outros instrumentos, como a contenção de crédito, a elevação de tributos e a ampliação das importações.
Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou a elevação da taxa básica de juros em 0,50 ponto porcentual, pela segunda vez no ano, para 12,25% ao ano.
Empresários
Os empresários elogiaram hoje a decisão do Banco Central (BC) de elevar em 0,50 ponto porcentual a taxa básica de juros. O aumento da inflação verificado nos últimos meses é considerado um mal maior. Mas os empresários, que participaram da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) no Palácio do Planalto, esperam que o novo ciclo de aumento dos juros seja curto conforme vem sinalizando o Comitê de Política Monetária (Copom).
''É o que tinha que ser feito tecnicamente. O BC agiu corretamente'', afirmou o presidente do Conselho de Administração do grupo Pão de Açúcar, Abílio Diniz. ''Mas espero que a pressão inflacionária pare e que a gente não tenha de aumentar muito as taxas de juros'', completou.

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