Alta nos juros elevou rombo no Banestado
Alta nos juros elevou rombo no Banestado
Banco Central deve fechar até amanhã os números finais para sanear a instituição. Valor pode chegar a R$ 3,5 bilhões
Carmem Murara
Arquivo FolhaVenda necessáriaO secretário Miguel Salomão: Não tem sentido o governo controlar operações de risco
O secretário do Planejamento, Miguel Salomão, afirmou ontem que o aumento elevado nas taxas de juros foi, em parte, responsável pela diferença de números no valor final do saneamento do Banestado. Os números devem ser fechados até amanhã pelo Banco Central, quando o governo do Estado ficará sabendo se serão mesmo necessários R$ 3,5 bilhões para colocar em dia as contas do banco. O número inicial divulgado era de R$ 1,7 bilhão, que foi aleatoriamente reajustado para R$ 2,6 bilhões. A diferença estaria no custo das operações que o Banestado faz no sistema interbancário.
Nós íamos ao interbancário com uma taxa de 20% no overnight e de um dia para outro passamos a ter uma taxa de 46%, explicou Salomão a um grupo de empresários da Associação Comercial do Paraná. Ele lembrou que os juros praticamente dobraram desde outubro do ano passado, quando o governo federal lançou um pacote econômico para evitar os efeitos da crise asiática.
Salomão esteve na ACP para um debate sobre a privatização do Banestado. Estavam presentes empresários, políticos e integrantes do Sindicato dos Bancários. Não tem sentido o governo controlar operações de risco, que movimentam um banco, afirmou o secretário ao justificar a privatização, que deve ocorrer até o próximo ano.
Após o debate, Salomão ouviu uma série de críticas contra a privatização e contra o governo. A presidente da Federação dos Bancários, Mariza Stédile, disse que os bancos públicos são responsáveis por boa parte dos créditos à agricultura, comércio e indústria. Quarenta por cento dos créditos para o comércio são oriundos dos bancos estatais, afirmou. Ela avaliou que a privatização trará o fechamento de agências do Banestado em todo o interior e lembrou ainda que o Banestado havia conseguido dobrar a captação de dinheiro num prazo de um ano.
O deputado Angelo Vanhoni (PT) também não poupou críticas ao governo do Estado pela privatização. Num discurso demorado ele acusou o governo de ter quebrado o banco e de ter comprometido as receitas arrecadadas. O Tribunal de Contas mostra que, em 1995, o déficit (diferença entre despesa e receita) do Estado foi de R$ 35 milhões. Em 96, o déficit foi de R$ 440 milhões e no ano passado foram R$ 786 milhões, comparou Vanhoni. Ele acusou ainda o governo de gastar R$ 410 milhões em publicidade, valor equivalente ao Patrimônio Líquido do Banestado.
O secretário Miguel Salomão ouviu todas as críticas e, irritado, procurou rebater todas: O Tesouro Central já reviu os valores do déficit. Dos R$ 789 milhões e não R$ 786 milhões como disse o senho (Angelo Vanhoni), cerca de R$ 430 milhões se referem a precatórios vencidos e R$ 270 milhões estavam no caixa do governo e não poderiam ser computados como despesa, explicou. Ele disse que os gastos em publicidade relativos à administração direta somam R$ 27 milhões.





