Alta nos juros ameaça empresas e famílias
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terça-feira, 11 de setembro de 2018
Folhapress 
Flórida e Nova Jersey, EUA - Para as milhões de pessoas que perderam seus empregos e casas há dez anos, um novo esfriamento da economia dificilmente terá a dimensão do drama da Grande Recessão. Mas empresas e famílias poderão ser diretamente afetadas pela alta dos juros, o que tornará ainda maior seu endividamento e diminuirá o espaço para pagar dívidas - que seguem em volume crescente.
Embora os bancos tenham sido obrigados a aumentar o rigor nos financiamentos imobiliários depois da crise, também é comum agora nos EUA tomar empréstimos pessoais (o chamado "hard money") para completar investimentos em imóveis.
"A farra pré-2008, quando bastava o cara respirar para ter crédito imobiliário, acabou", diz Mario Damião, corretor brasileiro de Nova Jersey. "Mas o mercado segue firme." Na crise, Damião e sua colega Rosmena Desa, sócia de uma franquia da imobiliária Remax, tiveram de declarar falência pessoal de cerca de US$ 5 milhões cada. Ambos preservaram apenas as casas onde moravam, cujos financiamentos foram alongados de 30 para 40 anos para que pudessem pagar.
Pouco antes do início da Grande Recessão, Rosmena havia comprado, por US$ 320 mil, dois terrenos em Nova Jersey para construir duas casas, que esperava vender por US$ 500 mil cada uma. Quando veio o baque e ela ficou sem caixa, se desfez do terreno por menos de US$ 130 mil. "Não tinha saída", diz.
Há duas semanas, após receber a Folha, Rosmena pegaria as chaves de um novo imóvel que compraria naquele mesmo dia por US$ 130 mil, com 80% do valor financiado. O plano? Reformá-lo com 40 mil e tentar vendê-lo por US$ 210 mil em 90 dias. (F.C./Folhapress)


