Vânia Casado
De Curitiba
A onda de frio que provocou geadas em várias regiões do estado, nos últimos dias, atingiu as lavouras de trigo, café e verduras. O reflexo no preço do trigo foi imediato. A Coamo que comercializava o trigo entre R$ 225,00 a R$ 230,00/tonelada na semana passada, ontem, fechou negócios com moinhos do Rio Grande do Sul por R$ 240,00/t.
Já no café, o efeito foi contrário. As geadas que atingiram o Norte do Estado não ocorreu na intensidade que se esperava, e o reflexo de queda nas cotações na Bolsa de Nova York também foi imediato. Segundo o presidente da Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina, Carlos Antônio Amaral Monteiro, o café tipo bebida dura, de qualidade superior, teve queda de 870 pontos na bolsa norte-americana, ontem, o que corresponde a uma redução de R$ 20,00 a saca aqui no Paraná. Os preços do café subiram na quinta e sexta-feira da semana passada com a previsão de uma ‘‘geada severa’’, passando para R$ 155,00 a R$ 160,00 a saca. Ontem, como as previsões não se confirmaram a Bolsa de NY fechou em baixa de 885 pontos.
Com as verduras ocorreram perdas na região metropolitana de Curitiba. Foram atingidas até as verduras plantadas nas laterais dos túneis de plástico, segundo o agrônomo da Emater, Iniberto Hammerschimidt.
Conforme o Simepar (Serviço de Meteorologia), ontem, as temperaturas cairam para -1,2ºC em Palmas; 0,8ºC em Toledo; 0,6ºC em Cascavel; 3,1ºC em Campo Mourão; 2,6ºC em Maringá; 2,1ºC em Londrina e 3,8ºC em Curitiba. Segundo o diretor do Deral, Richardson de Souza, os prejuízos só não serão maiores em função do quadro de estiagem que está persistindo no Estado. Se a umidade do solo estivesse em situação regular as plantas seriam muito mais danificadas, explica.
Souza disse que ainda é cedo para dimensionar as perdas, mas admitiu que ocorrerão estragos. Os levantamentos estão sendo feitos pelo Deral e as informações serão divulgadas até o final da semana. Dados definitivos só no final do mês, após análise detalhada das informações que chegam do campo, acrescentou.
A preocupação maior do secretário da Agricultura, Antonio Poloni, era com as lavouras de trigo, já que 60% da área plantada que atinge 726 mil hectares no Paraná, está em fase suscetivel a perdas.
O trigo prejudicado foi o do Sul e Centro-Sul, que ainda se encontra em fase de floração e frutificação, informou o assessor da Coamo, Antonio Cardoso Garcia. Ele salienta que o impacto vai refletir na queda de produtividade da planta, mas que a qualidade permanece a mesma. Inclusive o período seco ajuda a manter a qualidade do trigo. A Coamo esperava receber 230 mil toneladas de trigo esse ano, mas agora reduziu previsão para 200 mil t.
O prejuízo com o café, se houver, será para a próxima safra, já que 70% da produção atual foi colhida. Segundo o Deral, foram atingidos os ponteiros das plantas novas, podendo ocorrer perda de produção no ano que vem. Os técnicos não acreditam em prejuízos grandes com a cafeicultura. Pelo contrário, os danos ocorreram em lavouras isoladas. Os produtores foram alertados pelo serviço de ‘‘ Alerta Geadas’’, do Iapar e tiveram tempo de adotar medidas de proteção como o enterrio.
Para hoje, a massa de ar polar que atingiu o estado começa a perder intensidade, embora o Simepar ainda tenha previsão de geadas nas regiões Sudoeste, Centro-Sul e região metropolitana de Curitiba.Café, milho e pasto sofreram pouco com as geadas, que fulminaram o feijão no Oeste e elevaram preço do trigo
Fotos Josoé de Carvalho e Edson MazzettoCENARIO DE INVERNOFormação de geada em vale da região norte. No detalhe, técnico examina plantas de feijão no Oeste

mockup