Alta no petróleo pode forçar revisão da balança comercial
Agência Estado
De São Paulo
A alta do preço do petróleo no mercado internacional poderá forçar uma revisão para baixo do saldo da balança comercial brasileira em 2000. O consultor Fábio Silveira, da Tendências Consultores, ainda estima um saldo de US$ 2 bilhões, mas admite que poderá ser ainda menor se outros setores da economia, como o de agronegócios e de produtos intermediários, não fizerem um esforço adicional de exportação para compensar essa alta.
O Departamento de Comércio Exterior ainda não divulgou informações detalhadas sobre as exportações de janeiro e, assim, as projeções ainda são limitadas. Os produtos intermediários (papel e celulose, siderúrgicos e minérios) e os agrícolas poderão se beneficiar pela alta, prevista para 2000, do preço das commodities no mercado internacional.
Neste ano o Brasil deve despender US$ 7 bilhões com a importação de petróleo e seus derivados. Ou seja, 22% a mais do que em 1999, quando este gasto foi de US$ 5,4 bilhões, de acordo com Silveira. A projeção de Silveira foi feita com o preço médio do petróleo tipo brent a US$ 25 neste ano, contra US$ 17,8 em 99. Ontem os contratos para abril eram cotados, em Londres, a US$ 27.
Até agora, não há informações detalhadas sobre o desempenho das exportações das commodities agrícolas, mas há muita expectativa já que os preços no mercado internacional estão em recuperação.
É o caso, por exemplo, da soja em grão. Neste ano, o preço médio da commoditie deve ser 8% superior ao do ano passado. Assim, a importação de soja somaria US$ 1,75 bilhão em 2000, contra US$ 1,59 bilhão no ano passado. Só não será maior porque a safra foi comprometida pela longa estiagem.
O setor de carnes, que gerou uma receita de US$ 1,530 bilhão em 99 com exportações, deverá ter uma alta de 20% neste ano, com US$ 1,85 bilhão. E, aqui, todo o mérito é do setor que, após a desvalorização cambial, está conquistando novos mercados, principalmente na Ásia.
O café brasileiro poderá engordar um pouco o saldo das exportações, já que, segundo Silveira, a previsão é de que gere uma receita de US$ 2,8 bilhões, contra US$ 2,37 bilhões no ano passado.





