Alta nas tarifas traz de volta a inflação
Agência Folha
A inflação poderá voltar a subir este mês, caso se confirmem as altas nas tarifas de álcool combustível, gasolina comum e telefones, avalia a FGV (Fundação Getúlio Vargas). Se combustíveis e telefones forem reajustados até o dia 15 em 50% (gasolina), 10% (álcool) e 8,5% (telefones), como se cogita, a inflação medida pelo IGP-DI (Indice Geral de Preços) poderá ficar entre 0,10% e 0,30%, segundo estimativas do economista Paulo Sidney Cota, chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV.
Ainda há a possibilidade de o frio se intensificar, prejudicando a lavoura e jogando os preços das frutas e verduras para cima, diz Cota. Isso elevaria o IPA (Indice de Preços por Atacado), um dos índices que formam o IGP-DI.
A FGV divulgou ontem que o IGP-DI de maio ficou em -0,34% - a primeira variação negativa para o índice desde a desvalorização do real, em fevereiro. Em abril, tinha sido de 0,03%. Outros dois índices inflacionários da FGV também foram negativos em maio: o IGP-M (-0,29%) e o IGP-10 (-0,22%).
Cota diz que as previsões mensais estão se complicando, devido à incerteza quanto aos aumentos não anunciados. Apesar da perspectiva de alta nos índices, Cota alerta para o fato de essas mudanças serem temporárias. Elas não vão influenciar a projeção anual dos índices, segundo ele, porque os preços tenderão a ceder já a partir de agosto, devido à recessão.
A FGV estima que o IGP-DI fique em 12% este ano, e o IPC (Indice de Preços ao Consumidor), entre 8% e 10%. O economista diz que energia elétrica pesa bastante na ponderação do IGP-DI: 3%.
A tarifa está mais alta desde ontem, o que elevará o IPC de junho em 0,50 ponto percentual, o de julho, em 0,40, e o de agosto, em 0,20. Ou seja, em junho a inflação ficaria em 0,50% apenas por conta desse reajuste. Mas não é o que deve acontecer. A FGV prevê que, só com o aumento das tarifas de energia, o IGP-DI de junho ficaria negativo em 0,20%.
O IPC e o INCC (Indice Nacional de Custo da Construção), os outros dois índices que compõem o IGP-DI, ficaram positivos, em 0,08% e 0,86%, respectivamente.FGV e Fipe apontam para repique das taxas este mês se forem confirmadas novos reajustes de preços públicos. Frio também contribui
Arquivo FolhaFeira mais caraSe o frio se intensificar e prejudicar a lavoura, os preços das hortaliças e frutas também poderão subir, pressionando a taxa de inflação





