Stephen Cecchetti
Especial para o Financial Times
As empresas hoje em dia abrem seu capital em Bolsa muito mais cedo do que no passado. Antigamente, o único financiamento que essas empresas conseguiriam obter viria de fundos de capital para empreendimentos, que só abriam as carteiras sob promessa de índices de retorno muito elevados. Com a emissão de ações por companhias iniciantes, as empresas de capital para empreendimentos se tornaram muito mais democráticas.
Em lugar de ir aos especialistas, os empresários agora podem recorrer diretamente às Bolsas de Valores para levantar capital. Hoje já não é importante ser lucrativo para estar na Bolsa. Vejam o caso da VA Linux Systems, que abriu seu capital em dezembro, vendendo uma participação acionária de 11% em seu capital por US$ 132 milhões. A fama da VA Linux Systems se baseia em seu sistema operacional. O Linux é distribuído gratuitamente. A única receita da VA Linux Systems deriva da venda dos computadores em si. No entanto, em seu primeiro dia de operação em Bolsa, suas ações abriram cotadas a US$ 300 – dez vezes o valor da oferta inicial.
É o que explica o enriquecimento galopante de Bill Gates, dono da Microsoft, e de muitos empresários do ramo tecnológico e da ‘‘nova economia’’. No geral, o índice Nasdaq subiu mais de 80% em 1999. Ao longo do período, a relação entre preços e lucros das ações cotadas na Bolsa subiu de 80 para mais de 130.
Nesse novo mundo, todos temos a oportunidade de ser capitalistas de empreendimentos. É justo esperar que alguns dos nossos investimentos atinjam retornos espetaculares.
O autor é professor de Economia na Universidade Estadual do Ohio

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