O aumento de 0,50 ponto porcentual na taxa Selic anunciado anteontem pelo Banco Central não foi surpresa, afirmou ontem o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. Questionado sobre se a alta dos juros compromete o investimento no Brasil, Coutinho negou. "Ao contrário. Quando se cria confiança na estabilidade, a confiança privada se fortalece. O investimento depende de confiança no futuro."
Coutinho afirmou que a recuperação da economia dos Estados Unidos e a melhora da situação na Europa podem compensar a queda dos preços das commodities no mercado internacional. "O Brasil tem uma indústria e um setor de serviços bastante diversificados e uma taxa de câmbio mais favorável às exportações. Isso vai ajudar (o País) a recuperar o que perdeu nos últimos anos, que foi a capacidade de exportação."
Já a reforma fiscal é complexa, avaliou. O Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou anteontem o relatório Monitor Fiscal, no qual fala da necessidade de o Brasil reduzir os gastos públicos e a dívida do governo. "Existe uma evidente agenda de aperfeiçoamento do sistema tributário, mas é uma agenda complexa, não é politicamente simples", afirmou.

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