Alta na Selic pode adiar redução do spread
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terça-feira, 14 de setembro de 2004
Sandra Hahn<br> Agência Estado 
Porto Alegre - O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), deputado federal Armando Monteiro Neto (PTB-PE), avaliou ontem que uma pequena alta da taxa de juros, na reunião que o Comitê de Política Monetária (Copom) realiza esta semana, teria efeito negativo sobre as expectativas futuras, mas não seria capaz de interromper o ritmo de crescimento econômico. Ao afirmar que espera a manutenção da taxa na reunião do Copom, Monteiro Neto acrescentou que estava sendo ''pessimista'', já que a indústria sempre defende a redução dos juros.
Para ele, algumas pressões de custo tendem a ser absorvidas com o passar do tempo, sem prejudicar a inflação. Além disso, a taxa atual já é suficiente para conter movimentos especulativos, analisou Monteiro Neto, que viajou a Porto Alegre (RS) para discutir os spreads bancários em uma reunião com as federações da indústria, agricultura, comércio e serviços. O deputado preside a subcomissão especial para tratar da questão dos spreds bancários e das taxas de juros na Câmara, que teve seu prazo de funcionamento ampliado até o final do ano.
Embora a subcomissão vá produzir um relatório final, Monteiro Neto considerou que seu principal resultado já foi obtido, ao estimular a discussão sobre os spreads dentro e fora do Congresso. ''O Brasil pratica spreads muito mais altos que a média dos países emergentes'', comparou.
Na ótica do deputado, a tributação tem parte da responsabilidade sobre o spread elevado. Ele disse que o governo já está examinando este aspecto, mas ainda não definiu como reduzir a tributação. Qualquer processo de desoneração tributária que for definido seria gradativo, alertou ele. Outro fator que interfere no spread é o compulsório, apontou o deputado. Monteiro Neto disse que o compulsório encarece o custo de captação dos pequenos bancos, fazendo com que deixem de cumprir sua função como concorrentes no sistema financeiro.


