A expectativa de alta na produção de milho segunda safra vem refletindo negativamente nos preços pagos aos produtores. Segundo Marcelo Garrido, engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), de janeiro a junho deste ano, o preço médio pago ao produtor caiu em torno de 11%. De acordo com o levantamento realizado pelo Deral, no início do ano o valor pago pela saca de 60 quilos de milho era de R$ 22,50 a saca. Já em junho, o valor médio do produto caiu para R$ 19,96 a saca.
''Os preços pagos pela commodity começaram a cair desde fevereiro, quando os primeiros levantamentos de safra foram iniciados.'' Garrido acrescenta que os estudos apontavam um possível recorde de produção de milho, devido à intenção, por parte dos produtores, em aumentar a área plantada. Ao todo, o Paraná plantou neste ciclo 2 milhões de hectares com milho, ante 1,69 milhão da safra 2010/11. De acordo com números da Seab, neste ano deverão ser colhidas 10,3 milhões de toneladas de milho, o que corresponde a um aumento de 62% em comparação ao mesmo período do ano passado. Com 6% da safrinha já colhida neste ciclo e 18% já comercializada, segundo dados da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Garrido destaca que mesmo com a depreciação da commodity nos últimos meses, a rentabilidade do produtor ainda segue garantida.
O especialista do Deral informa que os custos de produção ainda estão abaixo do valor pago pela saca de milho, mas se o preço da commodity continuar caindo pode fragilizar o mercado. Dados de Deral apontam que o custo de produção variável, que compõe somente a compra de insumos, agroquímicos, entre outros itens, está em torno de R$ 15,47 a saca. Já o custo operacional, que é a soma do valor variável somado aos custos de mão de obra, seguro, máquinas, entre outros, está em torno de R$ 21 a saca. O agrônomo salienta que aqueles produtores que anteciparam as vendas por meio de mercados diferenciados, como a comercialização futura e o mercado de opções, por exemplo, estão garantindo bons preços. Garrido sublinha que essa queda pode não ser contínua, mas recomenda que os produtores fiquem atentos.
Grande safrinha
Segundo informações divulgadas pela Seab, o volume estimado de produção de grãos nesta segunda safra é o maior já contabilizado no Estado desde a década de 1970. A pesquisa de campo referente ao mês de junho, divulgada na semana passada, projeta uma safra de 31,5 milhões de toneladas de grãos, próxima à produção do ano passado, que atingiu 31,9 milhões de toneladas.
Do total previsto para a safra de grãos no Paraná, cerca de 53,3% é correspondente à produção de milho, informa o diretor do Deral, Francisco Carlos Simioni. A pesquisa mensal reavaliou a expectativa de safra do milho de inverno e constatou aumento na produtividade do grão, mesmo com ocorrências localizadas de frio e excesso de chuvas. A produtividade, que estava estimada em 5.070 quilos por hectare, evoluiu para 5.092 quilos, um aumento de 31% em relação ao ano passado.
Armazenagem
Mesmo com o excesso de oferta, a armazenagem não deverá ser um problemas para produtores e cooperativas. Flávio Turra, gerente técnico e econômico da Ocepar, afirma que o Paraná tem uma capacidade estática de armazenagem de 27,5 milhões de toneladas. Segundo o gerente, os armazéns estão praticamente vazios, já que mais de 90% da produção de soja da safra verão já foi comercializada. ''E o processo de comercialização das duas safras deste ano está acelerado'', pontua.
Turra acrescenta que a única preocupação é com as exportações, já que ainda não se sabe se o porto de Paranaguá terá condições de atender toda a demanda. De acordo com dados da Seab, neste ano deverão ser exportadas entre 10 e 12 milhões de toneladas de milho.

Imagem ilustrativa da imagem Alta na produção, mas queda nos preços
mockup