Imagem ilustrativa da imagem Alta na produção de peixes exige profissionalização
| Foto: Gustavo Carneiro
Último levantamento da FAO coloca o Brasil na 14ª colocação na produção global até 2014, com 561,8 mil toneladas de produtos oriundos da aquicultura



O Brasil tem potencial para crescer 104% na produção da aquicultura até 2025, mas os criadores do setor ainda sofrem com a falta de regras bem definidas e de linhas de crédito próprias. A previsão é da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês), que divulgou no último dia 7 o Estado Mundial da Pesca e Aquicultura 2016 (SOFIA), e aponta que o País tem a maior capacidade de aumentar a oferta de peixes do mundo, principalmente pelos recursos naturais e aos investimentos feitos nos últimos anos.
O último levantamento da FAO coloca o Brasil na 14ª colocação na produção global e segundo na continental até 2014, com 561,8 mil toneladas de produtos oriundos da aquicultura. O número representa menos da metade do que o líder da América Latina, o Chile, que chega a 1,214 milhão de t. Se atingido o potencial de crescimento do País, existe a possibilidade de o Brasil conquistar um lugar, ao menos, entre os dez primeiros.
Segundo o estudo, o aumento na produção brasileira será o maior registrado na região, seguido de México (54,2%) e Argentina (53,9%) durante a próxima década. "Sabemos que a demanda por esses produtos tende a crescer e é necessário que os países invistam cada vez mais nessa área, como vem ocorrendo no Brasil", disse o representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic, no documento.
Desenvolvimento que depende da profissionalização do setor. "O que falta é organização e legislação definida, porque não está claro para o empreendedor que entra na área quais os caminhos que devem ser seguidos e, quando se consegue um norte, a burocracia atrapalha", diz a gerente de Vendas para a Aquicultura da Alltech do Brasil, Mariana Nagata.
Ela conta que apenas uma propriedade no País é totalmente legalizada e, por isso, o restante dos produtores tem dificuldades em conseguir linhas de financiamentos. "Pode produzir, pode vender, a exportação acaba dificultada, mas a questão é a falta de crédito", diz Mariana. "Com o fim do Ministério da Pesca no ano passado, o piscicultor ficou desamparado", reclama a executiva da empresa, que trabalha com saúde e nutrição animal.

Menos burocracia
Maior produtor brasileiro de alevinos e com sede em Rolândia, o sócio-diretor da Piscicultura Aquabel, Ricardo Neukirchner, é otimista e diz que o fato de o ministério ter se transformado em uma secretaria dentro do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) pode reduzir a burocracia. "Ficamos com número menor de pessoas envolvidas, mas já se dependia muito do Mapa para licenças ambientais, de importação, enfim, quem sabe agora tudo fica mais ágil."
Ambos concordam com a expectativa da FAO para o setor no Brasil, mas dizem que é preciso que o governo destrave o licenciamento. "Só precisamos que o governo não atrapalhe, porque a iniciativa privada já trabalha forte para cumprir esse objetivo. Existe mercado, potencial e vontade", diz Neukirchner. "Os empresários de fora conseguem enxergar esse potencial muito mais do que o brasileiro. Os Estados Unidos já têm demanda até por peixes nativos do Brasil, como o tambaqui, então não é só demanda interna. É exportação", completa Mariana.

Tecnologia
Com a profissionalização do setor, a expectativa é que novas tecnologias possam fortalecer o mercado. A gerente da Alltech cita um simpósio recente da empresa, no qual a discussão foi sobre o desenvolvimento de um sistema de produção em ambiente 100% controlado, semelhante ao da produção de aves. "A aquicultura do Chile e da Noruega, que são referências mundiais, tende para isso, tirando o salmão do mar e trazendo para a terra, o que faz com que toda a produção seja em piscinas e laboratórios cobertos, com controle do que é colocado dentro desse sistema e do que é gerado de matéria orgânica", cita Mariana. "A tendência futura deve ser por aí, talvez não 100%, mas até para diminuir consumo de água", completa o diretor da Aquabel.

mockup