Alta em supermercados assusta clientes
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quarta-feira, 16 de agosto de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
Os consumidores estão assustados com a recente onda de aumentos nos supermercados. Eles reclamam que estão abrindo mão de despesas com lazer e cortando gastos nos supermercados para ajustar as despesas ao orçamento. A queda nas vendas dos supermercados já foi detectada pela Associação Brasileira de Supermercados. No primeiro semestre desse ano, as vendas nas principais lojas do País caíram 1,88% em comparação com o mesmo período do ano passado. Porém, a entidade nega a onda de aumento de preços.
O aumento no preço do leite lidera as reclamações da maioria dos consumidores. Eles reconhecem que a geada influenciou na elevação de preço, mas estão considerando os aumentos abusivos. É o caso da dona de casa Regina Gural, que não concorda com o aumento de R$ 0,50 por litro de leite longa vida. Ela disse que pagava pouco mais de R$ 0,70/litro e esse mês está pagando acima de R$ 1,20.
A dona de casa considerou abusivo também o aumento no preço dos produtos de limpeza. Citou como exemplo o amaciante de roupas que pagava R$ 1,69 há duas semanas. Ontem ela pagou R$ 2,39 pelo produto. Regina reclamou ainda contra o excesso de produtos com marca própria, que tiram a opção do consumidor em comprar sua marca preferida. Os supermercados põem esses produtos mais baratos e tiram aquelas marcas que a gente estava acostumada a comprar.
O padre Antonio Konken notou um aumento de 100% nos preços do peixe de duas semanas para cá. Habitual consumidor da carne branca, Konken disse ainda que o produto em promoção tem qualidade duvidosa. No total das compras, calcula o padre, houve um aumento de 30% em relação ao mês passado.
O aposentado Teodorico dos Santos disse que já tinha cortado despesa com almoço fora aos domingos. Agora estou renunciando aos churrasquinhos de domingo em porque não dá mais, disse. Ele reclamou que os preços dos produtos esse mês praticamente dobraram nos supermercados e que está difícil cortar as despesas. Atualmente estou ganhando só para as compras do mês e pagar as contas, reclama.
A Associação Brasileira de Supermercados não concorda que as lojas do setor estejam repassando custos aos consumidores. Com exceção dos produtos que sofrem a influência das geadas, os supermercados não aceitam aumento no preço dos produtos de outros setores, afirmou Fátima Merlim, chefe do Departamento Econômico da entidade.


