Alta dos juros já reflete na expectativa de consumo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de fevereiro de 2005
Alessandra Saraiva<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro A alta dos juros já reflete na expectativa de consumo para os próximos seis meses, especialmente de bens de maior valor, como automóveis e eletrodomésticos mais caros. É o que mostra a Fundação Getúlio Vargas (FGV) em sua Sondagem de Expectativas do Consumidor de janeiro, divulgada ontem. A pesquisa, que consultou 1.444 chefes de domicílio entre os dias 5 e 20 de janeiro, mostra que diminuiu de 13,6% para 13,3% de dezembro para janeiro a parcela de entrevistados que apostavam em gastos maiores com bens de alto valor nos próximos seis meses. Ao mesmo tempo, manteve-se alto o patamar de entrevistados que pretendem reduzir esses gastos: 54,2% dos pesquisados em janeiro, ante 54,6% em dezembro.
O economista da FGV Aloisio Campelo lembrou que a taxa básica de juros (Selic) vem sendo corrigida desde setembro e que é expressivo seu impacto nas compras a prazo e concessão de crédito. ''As taxas de juros mais altas reduzem a vontade de comprar bens duráveis e isso afeta o otimismo (do consumidor) para os próximos meses'', comentou.
O economista informou que os juros altos também são um dos fatores que levaram à queda na parcela de entrevistados que acreditam na melhora da situação econômica do País nos próximos seis meses: de 46,4% para 45,4%. ''Em compensação, as respostas sobre a avaliação presente são as melhores desde outubro de 2002'', disse Campelo, observando que 24,7% dos entrevistados consideram o cenário econômico atual do País melhor do que há seis meses.
No entanto, nas perguntas sobre a situação presente, a sondagem também mostra que o consumidor brasileiro está menos otimista em relação à situação econômica de sua família, embora a confiança na atual situação econômica do País permaneça alta. De dezembro para janeiro, caiu de 16,2% para 13,2% o porcentual de entrevistados que consideram a situação econômica de sua família como boa no cenário atual, em relação a seis meses. Já a parcela dos entrevistados que indicam melhora na situação presente, ante seis meses atrás, passou de 20,7% dos analisados para 24,7%, de dezembro para janeiro.
Campelo explica que normalmente o entrevistado é mais preciso e cauteloso ao falar de sua família, por ter dados mais completos do que em relação ao cenário econômico do País.
Trabalho A trajetória de queda do desemprego já está sendo sentida pelo consumidor, segundo apurou a sondagem de janeiro, ante a mesma pesquisa em dezembro. De acordo com Campelo, diminuiu de 48,1% para 45,4% o número de entrevistados afirmando que a obtenção de emprego estará mais difícil nos próximos seis meses.
Segundo a FGV, a melhora no emprego também influenciou positivamente a formação de massa salarial e consequentemente o orçamento familiar: 63,5% dos entrevistados afirmaram estar com as despesas e receitas equilibradas em janeiro, o maior percentual da série histórica da pesquisa.


