O início moroso da economia nacional em 2015 tem influenciado negativamente a comercialização de máquinas agrícolas. Números fechados do primeiro bimestre deste ano apontam retração de 21,7% nas vendas. São 6,74 mil máquinas vendidas até o fechamento de fevereiro contra 8,61 mil no mesmo período do ano passado, de acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
A situação ficou ainda mais preocupante com a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) de elevar a taxa de juros do Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota). O movimento era aguardado para o Plano Safra 2015/16, mas a antecipação da alta para o dia 1º de abril caiu como um ducha de água fria para produtores e a indústria especializada, que esperava uma melhora nas vendas pelo menos até o final do primeiro semestre. Para as empresas com receita operacional ou renda de grupo econômico inferior a R$ 90 milhões, os juros subiram de 4,5% para 7,5% ao ano. Já quem tem renda superior a R$ 90 milhões, a elevação foi de 6% para 9%. Apenas operações protocoladas no BNDES até o dia 27 de março serão feitas com os juros antigos.
A economista do departamento técnico econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Tânia Moreira, explica que com a Selic subindo constantemente, seria difícil manter os financiamento com as taxas anteriores. "Acredito que o produtor está consciente que o momento atual não é o melhor para a atividade. Ele está planejando para a safra de inverno e, com a alta do dólar, o preço dos insumos subiram, além da energia e mão de obra. Por outro lado, o cenário do câmbio tem ajudado o preço das commodities. É hora de planejamento, as dificuldades existem, mas os produtores estão conscientes", explica a economista.
O produtor Han Jan Groenwold trabalha numa área de 400 hectares (ha) de milho, soja e feijão, além de leite, na cidade Castro (Campos Gerais). Com pouco mais de 50% da lavoura colhida, ele comenta que está satisfeito com os resultados até aqui. Apesar do momento bom, ele relata que não deve adquirir novas máquinas este ano. "Os prazos e financiamentos estavam mais atrativos, mas a situação vai ficar complicada a partir de agora", relata.
Mesma opinião dos irmãos Emerson e Nereu Serenato, produtores em Teixeira Soares, região de Ponta Grossa. Eles trabalham numa área de 532 hectares com soja, trigo e feijão, além de avicultura de postura, com 100 mil galinhas poedeiras. A última vez que investiram em maquinário foi em 2013, e pretendiam adquirir neste ano uma retroescavadeira para auxiliá-los no trabalho com as aves. "Esse aumento de juros faz com que nós pensemos mais antes de investir. Agora vamos colher, pagar as contas e analisar a viabilidade de comprar a máquina", salienta Emerson.
Para o presidente da Câmara Setorial de Maquinários e Implementos Agrícolas (CSMIA), da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Pedro Bastos, o impacto é maior para os grandes produtores. "Os pequenos e médios ainda podem adquirir crédito pelo Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural), o qual o governo liberou recentemente R$ 2,5 bilhões a juros de 5,5%. Agora, com esse aumento, somado aos custos da lavoura, os grandes produtores ficarão mais seletivos para investir. Algum impacto negativo nós teremos", complementa.

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