Alta dos juros deve afetar indústria e comércio
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quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - A nova alta da taxa básica de juros, a Selic, que o Banco Central promoveu na quarta-feira deve cumprir a função de segurar a inflação, mas por outro lado trará reflexos negativos para as vendas do comércio e para o desempenho da indústria. Além disso, pode elevar a taxa de desemprego no País. Nesta semana, os juros passaram de 8,5% para 9% ao ano.
Os primeiros efeitos devem acontecer no prazo de 60 dias com redução das vendas do comércio, no entanto, os reflexos devem ser sentidos com mais evidência dentro de quatro ou seis meses. E o horizonte futuro não é animador. Isso porque o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central repetiu o comunicado utilizado nas duas últimas reuniões, dando a entender ao mercado que elevará novamente a taxa em 0,5 ponto percentual na próxima reunião, em outubro.
''O mercado já esperava essa alta para segurar a inflação, mas vai afetar as vendas do comércio e a indústria'', disse o coordenador do curso de Economia da Universidade Positivo, Lucas Dezordi. Ele alertou que o aumento dos juros prejudica o desempenho da economia. ''Se o Natal não for bom, o desemprego pode subir no início do próximo ano'', prevê.
Além de frear a velocidade da inflação, Dezordi disse que o reajuste nas taxas pode ajudar a conter um pouco o dólar porque, com juros mais altos, pode ocorrer a atração de capital especulativo para o País. Ele prevê que a Selic feche o ano entre 9,5% e 10% e cumpra o papel de reduzir a inflação para 5,9%, mas o custo disso será o País crescer menos. Dezordi disse que o governo teria que fazer um ajuste fiscal mais intenso, reduzir impostos e gastos.
O comércio é um dos setores que será prejudicado com a alta dos juros. O consultor econômico da Fecomércio-PR, Vamberto Santana, acredita que isso repercuta nos juros do setor dentro de 60 dias. Ele prevê que com a taxa de juros maior e o dólar valorizado, haverá contenção de vendas de Natal. Em 2012, as vendas natalinas cresceram 7% e, neste ano, a previsão é de um aumento de 4%. ''Os clientes mais conservadores devem começar a segurar as compras agora'', disse.
Ele lembrou que o Paraná fechou 2012 com aumento de 7,5% nas vendas do comércio. ''Neste ano, se os empresários conseguirem 5% já podem se dar por satisfeitos'', disse. Segundo Santana, o setor foi afetado pela inflação, além da alta do dólar, dos juros e dos protestos populares que ocorreram no País em junho. E ainda sentiu o reflexo de preços dos hortifrutigranjeiros afetados pelas geadas.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que o aumento dos juros estava dentro das expectativas da entidade. Em nota, a CNI esclareceu que a alta da Selic é um instrumento importante para conter a inflação, mas o receio é que, se for realizada em proporções excessivas, poderá provocar retração dos investimentos e desestimular de forma mais intensa o consumo no futuro próximo, comprometendo a recuperação da economia brasileira.
A CNI informou que para assegurar a desaceleração da inflação teria que ocorrer uma maior sintonia entre a política monetária e a fiscal, com o controle do ritmo de expansão dos gastos públicos, além de rigor e comprometimento com as metas fiscais.



