Alta dos juros deixou aplicação menos atrativa
Na última quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) ajustou a taxa Selic para 11,25%. Com o aumento da taxa, a caderneta de poupança se tornou menos atrativa que os fundos de investimento na maioria dos casos. "Na medida que a Selic aumenta, a rentabilidade dos fundos de investimento acabam se destacando frente à poupança, mesmo com incidência de Imposto de Renda e taxa administrativa", explica Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Com a taxa Selic em 11,25% ao ano, as contas poupança têm rendimento de 6,17% ao ano, mais a Taxa Referencial (TR).
Em setembro, a captação líquida (diferença entre depósitos e retiradas) de R$ 1,37 bilhão foi considerada a menor para meses de setembro desde 2005. Segundo o diretor da Anefac, vários motivos podem explicar a queda da captação da poupança. O primeiro deles é o baixo crescimento do País, a alta inflação e os juros altos, que aumentaram as dívidas e corroeram a renda da população. "Com isso, as pessoas começaram a ter menos dinheiro para guardar e tiveram que recorrer mais à poupança para sobreviver." O segundo fator, segundo Oliveira, é a rentabilidade da poupança, que com o aumento da taxa Selic, torna-se menos atrativa em relação à de outras formas de investimento.
"Mas isso não quer dizer que a poupança não seja atrativa", ressalva Oliveira. "É um bom instrumento de reserva de futuro ao longo do tempo. Sempre foi um pé-de-meia do brasileiro. É fácil de fazer, não tem Imposto de Renda, nem taxa administrativa, o brasileiro pode tirar e colocar dinheiro e é segura, garantida por lei." (M.F.C.)





