A elevação dos juros anunciada na quinta passada, às vésperas do plantio da safra, pegou o agricultor de calças-curtas e pode até reduzir a colheita do próximo ano. ‘‘O choque dos juros muda completamente o cenário. Antes a expectativa era otimista para alguns produtos, como milho, arroz e feijão. Agora, o agricultor deve rever seu planejamento’’, diz o economista Fernando Homem de Melo, da USP (Universidade de São Paulo). Segundo ele, os R$ 10 bilhões anunciados pelo governo em junho para financiamentos de custeio, a taxas favorecidas (8,75% ao ano), não serão suficientes para atender toda a demanda.
No caso da soja, por exemplo, os financiamentos a juros de 8,75% ao ano estão limitados a R$ 40 mil por produtor, no Paraná, e R$ 100 mil, no Norte e no Centro-Oeste. ‘‘O agricultor terá que recorrer a outras linhas de crédito para complementar o plantio, pagando juros de mercado’’, diz Homem de Melo.
Diante do encarecimento dos custos, os produtores têm duas opções: reduzir a área ou aplicar menos insumos nas lavouras, o que pode prejudicar a produtividade. Para Getúlio Pernambuco, da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), as condições para crescimento da safra estão comprometidas não apenas por conta da elevação dos juros, mas também pela crise na Ásia e na Rússia. ‘‘O produtor vai plantar uma safra com custo maior e perspectiva de preços baixos’’.
A contenção da demanda na Rússia e nos países asiáticos e o aumento da produção nos EUA e na Europa apontam para uma queda dos preços agrícolas, principalmente o da soja. Nos últimos 12 meses, o preço da soja no Brasil caiu 30% e a tendência para esta safra é de redução da área plantada. Nelson Costa, economista da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), recomenda aos agricultores fugir das dívidas em dólar e não vender sua safra em real no mercado futuro, como forma de se prevenir de uma eventual desvalorização da moeda.Arquivo FolhaPrecauçãoNelson Costa, da Ocepar: agricultor não deve vender sua safra em real no mercado futuroAgência Folha

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