Marcos Zanatta
De Maringá
A quebra da safra norte-americana dará condições para que o preço da soja ‘‘neutralize’’ o aumento dos insumos para a próxima safra de verão. Os cálculos foram feitos pelos técnicos da Cocamar, de Maringá, que está orientando os associados a optar pela soja, apesar dos insumos 35,5% mais caros.
O agrônomo Antonio Sacoman, da coordenadoria operacional de grãos, constatou o índice de reajuste comparando os preços praticados na safra do ano passado e a atual. Foram computados todos os ‘‘fatores de produção’’, dos serviços ao capital investido até o frete para o transporte.
Ele considerou ainda que a soja é uma commodity, cotada em dólar, garantindo uma significativa vantagem ao produtor. ‘‘Isso porque o mercado trabalhou com uma expectativa de preço da saca a R$ 17,00, o que corresponde a US$ 9,09 pela cotação do dia 15 de setembro’’, compara. Sacoman destaca que para cada R$ 1,00 aplicado na safra anterior, o produtor de soja teve um retorno de R$ 1,91. Considerando a situação atual, cada real aplicado dará um retorno de R$ 1,95.
As condições, segundo ele, fazem com que o custo de produção na safra atual fique em torno de 15% menor se comparada com a passada. ‘‘O que deveria ser um estímulo para o produtor investir mais em tecnologia’’, lembra. Ele lembra que a situação é favorável, mas o produtor precisa fazer sua parte. Pelos cálculos do agrônomo da Cocamar, se o agricultor conseguir uma média de 3 mil quilos de soja por hectare, o que representa 50 sacas de 60 quilos, será necessário apenas 25,5 sacas para cobrir os cursos de produção, ou 49% da colheita.
O produtor deve observar também o melhor período de plantio. O recomendado pela pesquisa se estende de 15 de outubro a 15 de dezembro. Sacoman lembra no entanto que o ideal na região da Cocamar é o plantio em novembro. A ‘‘tecnologia’’ que ele defende começa pelo plantio direto e uso de cultivares adequadas, tratamento das sementes, correção e fertilização do solo e o controle de pragas e invasoras nas épocas recomendadas.
Tendência A decisão da Cocamar deve ser seguida por outras cooperativas. O Departamento de Economia Rural (Dereal) da Secretaria da Agricultura corrigiu a redução de área. Em vez de queda de 2% pode haver ligeiro aumento de área.

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