Os produtores de verduras e legumes da região metropolitana de Curitiba que foram comprar insumos, esta semana, para fazer o plantio se assustaram com a alta nos preços das sementes e defensivos. A variação das sementes foi de 30% a 40%, e dos defensivos até 100% denunciou Paulo Danova, presidente da Associação dos Produtores da Ceasa de Curitiba. Altas, em percentuais menores, também ocorreram em Maringá, Cascavel, Londrina, Cornélio Procópio e Ponta Grossa.
O produtor acusa as empresas de aumentar indevidamente, porque as sementes procuradas são de fabricação nacional. Segundo Danova, a semente de couve-flor - embalagem de 100 g - passou de R$ 18,00 para R$ 26,00 em uma semana. A couve-flor híbrida ‘‘Verona’’, que era encontrada por R$ 118,00 a lata com 78 gramas, agora está sendo vendida por R$ 150,00.
Os defensivos agrícolas que eram comercializados por 30,00 o frasco agora estão custando até R$ 60,00. Com isso, os produtores se retraíram e suspenderam a compra, mas não podem fazer a mesma coisa com os defensivos porque precisam do insumo para não perder as lavouras já plantadas que estão sofrendo com o excesso de chuvas, disse Danova.
Existem sementes importadas, mas os produtores estão preferindo os produtos nacionais, justamente para evitar o repasse da alta do dólar. A Agroflora nega a remarcação.
De um lado os produtores sofrem a alta dos insumos e, por outro lado, sentem a retração. ‘‘Esses fatores combinados estão quebrando os produtores’’, destacou Canova. Segundo ele, está voltando uma média de 30% a 40% da produção de hortigranjeiros entregue na Ceasa de Curitiba por falta de compradores.
Na quarta-feira voltou boa parte da produção de couve-flor e repolho. A couve, cujo preço era de R$ 8,00 a dúzia foi ofertada por R$ 3,00, sem comprador. A cabeça de repolho grande, pesando cerca de três quilos, estava sendo oferecida por R$ 0,20 e não foi vendida.
A retração já dura oito meses. Historicamente entre os meses de janeiro e abril, a comercialização sempre foi muito disputada por atacadistas de outros Estados, o que não está acontecendo este ano.
A Ceasa informou que o aumento da produção de hortigranjeiros nesta época do ano é a responsável pelo excesso de produção que chega ao mercado atacadista todos os dias. Enquanto no ano passado entrava uma média de 1.700 t de produtos por dia, este ano está entrando cerca de 2.500 t.
Além disso houve um acréscimo de 18% no volume de hortifrutigranjeiros comercializados nas cinco unidades do Estado, entre 97 e 98. O acréscimo ocorreu face à reativação da Ceasa de Londrina, mas por outro lado a produção da região de Curitiba está sendo favorecida pelo clima.
Assim como ocorreu aumento de produção no Paraná, o mesmo ocorreu em outros Estados, onde os produtores também estão procurando melhorar suas tecnologias de produção, disse um assessor.ArquivoDifícil repasseProdutores de hortifrutis não têm como repassar alta dos preços e reduzem uso de insumos. Em Londrina nasce movimento contra ‘‘altas abusivas’’Vânia Casado

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