Alta do trigo começa a chegar ao consumidor
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quinta-feira, 21 de junho de 2007
Francisco Carlos de Assis e Flavio Leonel<br> Agência Estado 
São Paulo - O aumento do preço do trigo no atacado já começa a chegar para o consumidor final. E o seu reflexo sobre a inflação poderá se traduzir em um acréscimo de até 0,26 ponto porcentual sobre o IPCA que deverá ser entregue no final do ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A previsão é da economista Caroline Silveira, da Unibanco Asset Management (UAM), com base em um aumento de 20% a 25% sobre o preço da saca de trigo no atacado. Por enquanto, o IPCA acumula no ano uma alta de 1,79% e a mediana das expectativas dos analistas do mercado na Pesquisa Focus - dado da última edição divulgada na segunda-feira pelo Banco Central - é de 3,59%.
O grão tem se tornado mais caro no mercado internacional em decorrência da quebra de safra em alguns dos principais países produtores, especialmente na Austrália, que sofre já há algum tempo com um longo período de intensa seca. O Brasil, que importa 70% de todo o trigo que consome, depara-se ainda com uma sobretaxa sobre as importações do grão imposta pela Argentina, diz a economista da UAM.
O maior impacto deverá ser assimilado pelo subgrupo dos panificados, na proporção de 0,20 ponto porcentual sobre o IPCA. No segmento farinha, fécula e massas, o aumento deverá ser de 0,06 ponto porcentual. Essas previsões levam em conta um repasse de 10% a 15% do reajuste total sobre o valor da saca de trigo no mercado atacadista. Normalmente, os repasses do atacado para o consumidor costumam se restringir a 70%.
Para Caroline, no entanto, a transferência do aumento do trigo em grão para seus derivados no varejo não chegará a 10% porque o componente farinha de trigo nos produtos panificados não é 100%. ''Trata-se de um porcentual que varia de acordo com a indústria, com a capacidade de estocagem de cada empresa, com a margem de lucro e também da variação cambial. Por isso é provável que o repasse não se dê na totalidade do aumento efetivado no atacado'', prevê a economista da UAM.
Embora haja barreiras que impeçam o repasse integral do aumento percebido no atacado para o varejo, a majoração do grão já se faz presente na mesa do consumidor. O café da manhã e os lanches da tarde já estão mais caros desde abril. Naquele mês, os derivados do trigo foram reajustados em 0,40% e no mês passado em mais 0,32%. ''O aumento do trigo está começando a chegar e com força para o consumidor'', atesta a economista. E não pára por ai, segundo ela. Para junho, os cálculos feitos por Caroline dão conta de um aumento de 0,70%.
Ontem, a segunda quadrissemana do IPC-Fipe - índice que mede a inflação na capital paulista, responsável por pouco mais de 30% do IPCA -, já deu uma pequena mostra do efeito trigo sobre o orçamento do consumidor. Enquanto o índice pleno subiu 0,49% no período, os panificados sofreram um ajuste para cima de 0,79%. O pãozinho francês foi aumentado em 0,10%, mas outros tipos de pães e bolos tiveram seus preços disparados. O pão de forma foi aumentado em 3,72%, o sovado em 5,91%, o pãozinho empacotado sofreu uma alta de 5,45%, o pão doce ficou 1,27% mais caro e o bolo de forma, 5,08%.


