O aumento repentino dos preços da gasolina e do etanol que ocorreu na última semana nos postos de combustível de Londrina pode ser investigado pelo Ministério Público (MP) e pelo Procon. Representantes das duas entidades se reúnem hoje pela manhã para avaliar se a situação deve ser estudada de forma mais aprofundada. Na última quinta-feira, dezenas de estabelecimentos da cidade subiram os preços da gasolina em até 20%, saltando, em alguns casos, de R$ 2,39 para R$ 2,89.
O promotor de defesa do consumidor, Miguel Sogayar, preferiu não adiantar à reportagem da FOLHA o conteúdo da reunião, mas confirmou que a conversa é justificada pelo ''aumento abrupto'' que ocorreu no município. ''Juntamente com o Procon, iremos discutir esta questão. Vamos ver qual posicionamento tomar acerca do que aconteceu'', salientou.
Carlos Neves Júnior, coordenador do Procon em Londrina, confirmou que pode haver uma investigação sobre este aumento. ''Ficamos surpresos tendo em vista as diversas situações que estes estabelecimentos já enfrentaram. Vamos nos reunir para entender o que realmente ocorreu'', comentou.
Inclusive, a explicação dada pelo Sindicombustíveis frente aos aumentos de preços foi justamente graças à atuação destes órgãos com a operação Bomba Limpa, realizada diversas vezes no município. Para o sindicato representante dos postos, as ações do MP fizeram com que os ''ilícitos'' do mercado fossem obrigados a voltar a praticar os preços de mercado. ''Certamente, esta informação será relevante numa possível investigação. Temos que analisar diferentes pontos para entender como todos (os postos) subiram ao mesmo tempo de um dia para o outro'', relatou Neves.
Roberto Fregonense, presidente do Sindicombustíveis, concorda que deve haver uma investigação, mas pontuou que ela deve ser feita de forma coerente. ''Não é normal o que aconteceu em Londrina na semana passada. Mas é preciso avaliar, inclusive, a movimentação das distribuidoras''. ressaltou.
Fregonese lembrou ainda que os preços que estavam sendo comercializados na cidade eram incompatíveis com o restante do mercado estadual e que, certamente, são caracterizados pelo mercado irregular de Londrina. ''Existe na cidade uma sonegação fiscal pura, acontecendo até vendas diretas da usina para os postos. Para não perderem venda, os empresários pressionam as companhias para não ocorrer a migração dos consumidores para os ilícitos (postos) e acabam sacrificando sua margem de lucro, fazendo com que os preços despenquem''.
Para o representante do Sindicombustíveis, Londrina é a cidade mais fraudulenta do Paraná neste segmento. ''Isso acontece porque no município há um excesso de postos, o mercado está bastante saturado. Como ganhar no volume fica complicado e as margens são pequenas, muitos acabam partindo para as fraudes''. Fregonese disse ainda que na cidade ''há muitos processos instaurados e que os atores deles são sempre os mesmos''. ''Mas tenho confiança absoluta no trabalho do Ministério Público e acredito que esta situação pode melhorar'', concluiu.

mockup