Alta do preço do combustível ainda não foi repassada
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terça-feira, 04 de fevereiro de 2003
Carolina Avansini<BR>Reportagem Local 
Donos de postos de combustíveis estão pagando, desde sexta-feira, 13,8% a mais pelo álcool e 4,9% pela gasolina. Mas a alta ainda não foi repassada aos consumidores. Donos de postos ouvidos pela Folha revelaram que não reajustaram os preços por medo da concorrência. ''Os postos ficam esperando os concorrentes aumentarem primeiro, para não perder clientes'', comentou um empresário que não quis se identificar.
Roberto Fregonese, presidente do Sindicombustíveis, informou que o álcool subiu R$ 0,17. A justificativa é que o produto se tornou escasso por causa da entressafra. Além disso, a cotação estaria pressionada pelos bons preços do açúcar no mercado internacional. A conjuntura estaria aumentando o risco das usinas produzirem açúcar ao invés do álcool.
Mas Adriano da Silva, superintendente da Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar do Estado do Paraná (Alcopar) contesta essas informações, ao informar que, como a época é de entressafra, todo álcool disponível para o período já foi produzido. Ele também garantiu que o aumento do álcool não chegou a R$ 0,15 desde a última alta nos postos, registrada na primeira semana do ano.
Indicadores do Centro de Estudos de Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) demonstram que no dia 10 de janeiro, usinas e destilarias recebiam R$ 0,79 pelo litro. No dia 31, após o anúncio dos novos preços, o valor praticado era R$ 0,85. As usinas, portanto, estão recebendo R$ 0,06 a mais pelo produto.
Gasolina No caso da gasolina, a alta é justificada pela diminuição de 25% para 20% do volume de álcool anidro no combustível, cujo custo é mais baixo. Segundo Fregonese, o litro de gasolina deve subir, nesta semana, R$ 0,10 em média, assim que chegar o produto com os novos preços.
A prática, até então, era elevar o valor cobrado dos clientes logo que as distribuidoras divulgam a alta, independentemente do preço pago pela mercadoria. É o que o setor chama de aumento preventivo. Fregonese justificou que os donos de postos sobem os preços antes mesmo de receber combustível com valor reajustado para viabilizar a compra de combustível com o preço mais caro.
Luiz Bolognesi, proprietário do Posto 15 em Londrina, criticou a forma como as distribuidoras divulgam a mudança nos preços do álcool e da gasolina. ''Eles avisam na sexta-feira, quando não há mais condições de repor os estoques'', reclamou. Para ele, o consumidor tem direito de saber sobre as altas com antecedência, para aproveitar os últimos dias de preço mais baixo. ''O setor deveria lidar com essa informações de forma mais clara'', afirmou.
Ele disse, ainda, que não há justifictiva para a cotação atual da gasolina. ''O dólar e o petróleo pararam de subir. Porque a gasolina está mais cara?'', questionou.


