São Paulo - A cotação do petróleo atingiu ontem um novo recorde em Nova York, impulsionado pela notícia de que a maior petrolífera russa, a Yukos, poderá interromper a produção nos próximos dias. O barril para entrega em setembro (ou seja, com um mês de antecedência) superou, durante o pregão, o patamar de US$ 43 pela primeira vez nos 21 anos da Bolsa Mercantil de Nova York e, mais tarde, fechou a US$ 42,90, alta de 2,53% em relação a terça-feira. Os recordes anteriores haviam sido registrados no dia 1º de junho, quando o barril chegou a ser negociado a US$ 42,45.
Em Londres, o barril do tipo brent, que serve de referência na Europa, alcançou durante o pregão US$ 39,68 e encerrou com ganho de 2,5%, cotado a US$ 39,53. Foram os maiores níveis desde outubro de 1990.
O novo recorde da cotação internacional do petróleo não chegou a surpreender analistas, mas deu munição para críticas sobre a política de preços dos combustíveis no Brasil. Segundo os especialistas, o último reajuste promovido pela Petrobras, no dia 15 de junho, não foi suficiente para cobrir a defasagem com relação aos preços internacionais e a empresa deveria promover novos aumentos.
''A Petrobras está sendo forçada, mais uma vez, a segurar a barra sozinha'', apontou o consultor Jean Paul Prates, da consultoria Expetro. ''A Petrobras usou a cotação de US$ 36 por barril como parâmetro para o último reajuste e agora o petróleo se estabilizou em torno dos US$ 40. Uma hora a empresa terá de aumentar os preços de novo'', disse o analista da Global Invest Paulo Rossetti.
A estatal não comenta o assunto. O discurso usual é de que a companhia espera a configuração de um novo nível de preços para definir um reajuste. Na opinião de Prates, porém, este nível já existe desde o início do ano e só deve ser reduzido após a eleição para presidente dos Estados Unidos.
''A tendência de alta no preço vem se configurando há muito tempo e, de vez em quando, há uns picos provocados por problemas pontuais, como o da Yukos'', explicou, referindo-se à petroleira russa que pode ser obrigada a paralisar suas operações por problemas com a Justiça de seu país. ''Não sei de onde a Petrobras tirou a previsão de que o preço cairia este ano'', questionou. Em seu planejamento estratégico, a estatal trabalha com o petróleo a US$ 29 por barril em um cenário de curto prazo.
Rossetti lembrou que a alta do preço do petróleo preocupa não apenas a Petrobras, mas também os investidores de outros mercados. Segundo ele, a manutenção do preço neste nível aumenta o risco inflacionário nos Estados Unidos e, consequentemente, dá argumento ao banco central americano para aumentar os juros naquele país.
A balança comercial também já começa a sentir os impactos. Nos primeiros cinco meses do ano, o gasto do País com importação de petróleo cresceu 61,9%, atingindo US$ 715,1 milhões - reflexo da alta de 47,6% no volume, mas também do aumento de 7,7% no preço médio do petróleo importado, que chegou a US$ 36,49.

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