Brasília - A alta do petróleo no mercado internacional em função da crise no Oriente Médio reforçou a expectativa do mercado financeiro de que o Banco Central poderá rever o intervalo estimado para a inflação deste ano que tem orientado as decisões sobre a taxa de juros. Além disso, os analistas já começam a refazer as contas para tentar antecipar qual será a postura do Comitê de Política Monetária do BC (Copom) na próxima reunião, que ocorrerá em 15 dias. Crescem as apostas de que a trajetória de queda dos juros será mais lenta do que o que se previa antes de quinta-feira, quando o líder palestino Yasser Arafat foi confinado pelos isralenses.
Na semana passada, o diretor de Política Econômica do BC, Ilan Goldfajn, disse que a instituição continuava trabalhando com um IPCA, referência para o regime de metas de inflação, entre 4% e 4,5% em 2002.
Todas as estimativas foram feitas considerando o preço médio do barril do petróleo em cerca de US$ 23. Pelos cálculos do BC também não haveria mais aumento de combustível este ano. Ao contrário, a tendência futura, segundo o relatório, era de uma pequena queda do preço do produto no mercado internacional.
‘‘Ainda é muito cedo para ter uma visão clara dos desdobramentos dessa crise no Oriente Médio. No entanto, isso pode comprometer a redução da taxa de juros internamente’’, avalia o ex-presidente do BC Gustavo Loyola.
Segundo ele, inicialmente a tendência é que o BC acomode as pressões iniciais decorrentes do acirramento do conflito naquela região dentro da meta determinada para este ano. Com isso, a inflação se aproximaria mais do teto da meta fixado em 5,5% para 2002, acima portanto do intervalo de 4% a 4,5% que vem sendo focado pelo BC.

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