Alta do petróleo é vantajosa para o Brasil
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quinta-feira, 01 de setembro de 2005
Agência Estado 
Rio de Janeiro - Quanto mais elevados os preços do petróleo, melhor para a economia brasileira. A tese é de diretores da Petrobras, que consideram que o momento atual é radicalmente diferente dos vividos pelo País em meados da década de 70 e final dos anos 80, quando aquela matéria-prima registrou fortes aumentos de preços em curto espaço de tempo. ''O Brasil está saindo da condição de importador para a situação inversa. A partir do ano que vem seremos exportadores líquidos e o preço alto será a nosso favor'', argumenta o gerente de relações com investidores da Petrobras, Raul Campos. Ele está convicto de que essa não será uma situação passageira e tende até a se acentuar nos próximos 5 a 10 anos.
Campos participou ontem de painel organizado pela revista Latin Finance sobre a estratégia da empresa, em conjunto com outros dirigentes da estatal. O gerente da área de exploração e produção José Luiz Marcusso, enumerou os diversos projetos em andamento na Petrobras, que garantirão o aumento da produção interna dos atuais 1,7 milhão de barris diários para 2,3 milhões já em 2010.
Com isso, haverá uma sobra de 400 mil a 500 mil barris para serem colocados no exterior. Aos preços atuais essa 'sobra' garante uma receita anual da ordem de US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões. Este ano, a balança comercial do petróleo (incluindo os derivados) deverá custar ao Brasil entre US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões líquidos (diferença entre exportações e importações), já que o Brasil é importador líquido.
Outro aspecto que dá vantagem ao Brasil, é que o País é uma das poucas economias de grande porte que será auto-suficiente em petróleo. À exceção da Rússia, todas as grandes economias mundiais são altamente dependentes do petróleo importado, como é o caso dos Estados Unidos, Japão, a Europa Ocidental (com exceção da Noruega) e a própria China, que saiu da condição de exportadora de 500 mil barris dias diários para importadora de seis milhões de barris diários em menos de cinco anos. Os grandes produtores de petróleo, como os países do Oriente Médio e da África, têm parques industriais muito inferiores ao brasileiro.
Na América Latina, com as descobertas dos últimos anos, o Brasil só ficará atrás da Venezuela em termos de reservas provadas. O país de Hugo Chaves tem 79 bilhões de barris de reservas, mas o país está tendo dificuldades de manter o ritmo de produção devido às hostilidades em relação às multinacionais do setor. As reservas do México caíram para 14,8 bilhões no final do ano passado e têm sido declinantes, enquanto o Brasil já acumula 13 bilhões e está conseguindo ampliar o estoque, mesmo com aumento da produção, conforme dados da BP, uma das ''majors'' do petróleo.
O diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, argumenta que outro fator favorável é que a estatal conseguiu ampliar a produção desenvolvendo tecnologia própria para atuação em águas profundas e hoje é líder mundial no segmento. A vantagem, segundo ele, está sendo comprovada até no 'berço' da indústria do petróleo, no Golfo do México.


