Londres - O que há alguns meses era apenas um temor está se transformando cada vez mais numa certeza: os preços do petróleo, que vêm quebrando sucessivos recordes altistas nos últimos dias, devem permanecer em níveis elevados nos próximos meses, colocando uma nuvem sobre o horizonte de recuperação da economia global. Mesmo os analistas mais otimistas, que apostam que os preços poderão cair um pouco até o fim do ano e em 2005, prevêem que esse recuo ainda deixará a commodity bem acima dos seus níveis históricos.
A consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU), por exemplo, elevou a previsão do preço médio do barril Brent em 2004 de US$ 30 para cerca de US$ 34. Segundo a consultoria, no final deste ano os preços deverão apresentar uma queda, que poderá ser ligeiramente acentuada em 2005. Com isso, o preço médio no próximo ano se situaria um pouco abaixo dos US$ 30 por barril. Se confirmada essa previsão razoavelmente otimista, o preço médio do barril Brent em 2005 ainda seria quase 50% superior à sua média dos últimos dez anos, que foi de US$ 21.
O analista da EIU para petróleo, Simon Williams, em entrevista à Agência Estado, observou que há vários riscos que podem elevar os preços acima da sua projeção. O equilíbrio entre a oferta e a demanda por petróleo deverá continuar apertado nos próximos meses, com o consumo forte causado pela recuperação econômica global e o crescimento da economia chinesa. Enquanto isso, a capacidade dos países produtores de aumentar a produção no curto prazo é limitada.
Além desses fatores estruturais, há ingredientes geopolíticos - instabilidade no Iraque, crise na empresa russa Yukos, greves na Nigéria e Venezuela e problemas políticos na Arábia Saudita, ameaças terroristas nos Estados Unidos - que alternadamente ou em conjunto emergem para enervar os mercados. ''Os fatores negativos que pressionam os preços do petróleo são muito mais preponderantes neste momento do que aqueles que abririam espaço para uma queda dos preços'', disse Williams.
Diante da sustentabilidade dos preços elevados do petróleo, os economistas tentam calcular qual será o impacto sobre a economia mundial. Trata-se de um trabalho complexo, com cada país e região apresentando um cenário particular. No caso dos Estados Unidos, por exemplo, grande importador da commodity, preços altos sustentados por um longo período poderiam aprofundar pressões inflacionárias. No caso dos países da área do euro, que também são grandes importadores, a desvalorização do dólar diante da sua moeda comum serve para compensar em parte a pressão com aumento do custo do barril, negociado com a moeda norte-americana. ''São tantas as variantes, além das incertezas com os preços, que as projeções devem ser vistas com muita cautela'', observou Williams.

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