Rio - A escalada dos preços do petróleo, que bateram os US$ 100 por barril nos últimos dias, não terão efeito imediato sobre os preços da gasolina e do diesel. A afirmação é da assessoria de imprensa da Petrobras, que reafirmou na sexta-feira a política de preços da companhia, que evita o repasse ao consumidor brasileiro das volatilidades do mercado internacional. Gasolina e diesel não sobem desde setembro de 2005, quando o petróleo rondava os US$ 60 por barril.
A posição da estatal confirma a expectativa de analistas do mercado financeiro, para quem o câmbio vem beneficiando o motorista brasileiro, já que compensa parcialmente a alta do petróleo. Além disso, dizem especialistas, a Petrobras minimiza as perdas com exportações de petróleo cru em valores mais altos e repasses a combustíveis de menor apelo popular e impacto inflacionário, como o querosene de aviação, a nafta petroquímica e o óleo combustível.
Segundo cálculos de uma trading especializada em combustíveis, a defasagem no preço da gasolina pode chegar a 20%, se contabilizado o custo do frete do produto norte-americano ao Brasil, em um conceito chamado paridade de importação. Sexta-feira, a gasolina nos Estados Unidos fechou o dia em um valor equivalente a R$ 1,152 por litro, sem contar custo de frete - com frete, o preço chegaria a R$ 1,2313. No Rio, o litro do combustível sai da refinaria a R$ 0,9806, sem contar impostos e margens de revenda e distribuição.
Já no caso do diesel, a defasagem varia entre 10% e 15%, caso o custo do frete seja incluído na conta. A cotação do combustível no mercado americano estava na sexta-feira em R$ 1,236 por litro - com o frete, chega a R$ 1,3165. O derivado sai da Refinaria Duque de Caxias (Reduc) a R$ 1,154 por litro, sem impostos. O preço internacional acrescido do frete é usado como parâmetro desde a abertura do mercado brasileiro de combustíveis, pois indica os riscos de importação por empresas concorrentes.
A área de abastecimento da Petrobras espera uma queda em breve das cotações internacionais do petróleo, com o fim do inverno no hemisfério Norte, que pressiona os preços de derivados usados para aquecimento. Sexta-feira, a cotação do petróleo WTI, negociado em Nova York, fechou o dia em queda de 1,28%, para US$ 97,91 por barril. Nos dois primeiros dias do ano, as cotações chegaram aos US$ 100 por barril, causando preocupações no mercado, que estava pressionado pelos conflitos no Paquistão e na Nigéria.
No final do ano, a Petrobras anunciou reajuste no preço do gás liquefeito de petróleo (GLP) para uso comercial e industrial, repassando parte da alta nas cotações internacionais desde o último aumento, em 2003. Segundo especialistas, porém, o aumento teve como objetivo principal uma aproximação entre o preço do combustível e o preço do gás natural, que vem subindo continuamente no último ano, e evitar grande migração deste energético para o derivado do petróleo.

mockup