Rio de Janeiro - O preço do leite tipo longa vida no varejo subiu 10,03% no âmbito do Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) de junho deste ano - o maior patamar de elevação em quase sete anos. A alta do produto este mês só não superou a elevação de 13,01% apurada no preço do item em agosto de 2000. A informação é do economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Braz.
O coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, explicou que atualmente o cenário é de entressafra no setor de pecuária leiteira. Entretanto, além disso, houve mais um fator complicador para a oferta do produto no mercado interno: a alta da cotação do leite no mercado internacional. Isso porque as produções este ano de grandes regiões leiteiras, como Austrália e Nova Zelândia, não foram boas - causando uma redução na oferta de leite no mercado internacional. ''Isso também levou a um deslocamento do leite brasileiro, principalmente leite em pó, para o exterior, aumentando as exportações brasileiras do produto'', acrescentou o economista.
Os economistas da FGV informaram que a alta no preço do leite é tão intensa que já se espalha por derivados do produto, tanto no atacado quanto no varejo. No setor atacadista, os destaques são as elevações de preços em leite pasteurizado (5,13%); leite em pó (5,98%); leite condensado (2,85%); creme de leite (2,75%); coalhada e iogurte (1,93%) e farinha láctea (0,65%). No varejo, os aumentos de preço mais relevantes, relacionados à alta do preço do leite, foram registrados em mussarela (4,26%); iogurte (1,22%); e leite fresco (2,28%).
Construção - A aceleração na taxa do Índice Nacional de Custo da Construção - 10 (INCC-10), de 0,44% para 1,51% em junho, levou à taxa maior do Índice Geral de Preços-10 (IGP-10), que subiu 0,15% este mês, ante aumento de 0,09% em maio. ''Com os preços do atacado em queda, e os preços do varejo acelerando, mas pouco, os preços na construção foram os principais responsáveis mesmo pela aceleração do IGP-10'', afirmou o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros.
De acordo com ele, houve aumentos de preços mais expressivos tanto nos segmentos de materiais e serviços (de 0,53% para 0,57%) quanto de mão-de-obra (de 0,33% para 2,57%).
A taxa do IGP-10 de junho poderia até ter sido maior, não fosse a deflação registrada no mês pelo Índice de Preços no Varejo-10 (IPA-10), de -0,10%, que ajudou a segurar aceleração do índice. ''O IPA-10 ofuscou um pouco o impacto da aceleração do INCC-10'', disse. A desaceleração nos preços de cobre e de produtos relacionados a esse tipo de metal, aliada à elevação menos intensa nos preços dos combustíveis, conduziram ao resultado.
As taxas baixas do IGP-10 nos últimos dois meses, e dos IGPs de uma maneira geral, abaixo de 0,20% ''não devem durar'', na avaliação de Quadros. Segundo ele, a expectativa é de que ocorra uma ''aceleração gradual'' nos resultados dos indicadores, no curto prazo - em cerca de dois meses.

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