Alta do gás vai chegar ao consumidor
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segunda-feira, 23 de setembro de 2002
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba Os setores da indústria e do comércio pretendem repassar ao consumidor o reajuste de 5,9% no preço do Gás Liquifeito de Petróleo (GLP), que está valendo desde ontem, conforme anunciou a Petrobras. Os empresários admitem que vai ser difícil repassar mais este aumento de custo ao consumidor, que continua com a sua renda espremida. Hotéis e motéis serão os setores mais prejudicados, porque dependem do sistema de caldeiras para aquecer a água.
''A indústria não vai conseguir absorver o aumento no preço do insumo'', disse o empresário Augusto José Sperotto, vice-presidente da Federação das Associações Comerciais, Indústriais e Agropecuárias do Paraná (Faciap). Speroto, que é industrial do ramo têxtil, em Toledo, acredita que a consequência dessa medida certamente será de mais recessão e desemprego.
Para Sperotto, o mais preocupante é o realinhamento previsto para os próximos 30 dias no preço do gás para o segmento industrial e comercial, já antecipado pela Petrobras. De acordo com o empresário, tanto a Petrobras como as empresas de energia elétrica alegam que estão com tarifas defasadas para esses setores, mas não há como repassar esse aumento no custo de insumos aos consumidores.
Sperotto lembra que durante o Plano Real, o setor de tarifas controladas pelo governo foi o único que não deu sua parcela de contribuição para o controle da inflação. Citou que setores da indústria, como o têxtil, teve seus preços elevados em apenas 47,3% desde 1994. A indústria eletroeletrônica teve aumento de preços de 60,1%. O setor de alimentos teve aumento de 73,% e de conserto de veículos, 138,8%, para uma inflação de 117,7% no período. ''Isso mostra que em segmentos onde há concorrência, não há como repassar o aumento de custos.''
Enquanto isso, as tarifas controladas pelo governo simplesmente explodiram. O empresário citou aumento de 472% no preço do GLP, desde o Plano Real. Tarifas de telefone tiveram reajuste de 379,9%, de energia elétrica, 227% e da gasolina, 211,2%, comparou.
Sperotto acredita que a única solução no momento, seria o governo dar a sua contribuição e absorver a variação do câmbio que incide sobre os custos da conta petróleo. ''O governo sempre fala que é preciso confiar na economia do País, mas é o primeiro que mostra desconfiança ao permitir o repasse da variação cambial'', salienta.


