Alta do frete reduz lucro de sojicultores
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quinta-feira, 02 de março de 2006
Agência Estado 
São Paulo - O custo de escoamento da soja das regiões produtoras para os portos está mais caro este ano. Transportadoras e economistas da área agrícola projetam que o frete deverá ter aumento real em relação aos valores praticados em 2005. Esta alta deve reduzir ainda mais a remuneração dos produtores brasileiros de soja, que neste ano já estão recebendo menos em moeda nacional, por causa do câmbio valorizado.
Pelos cálculos de Anderson Galvão, diretor da consultoria Céleres, neste ano um produtor da região de Lucas de Rio Verde, norte do Mato Grosso, receberá pela soja 46% do preço praticado nos portos brasileiros, enquanto no ano passado essa porcentagem estava em 55%. ''Frete e câmbio são os dois fatores que devem enfraquecer a base de preço recebido pelo produtor brasileiro'', diz Galvão.
Os frotistas estão atentos ao desenvolvimento da safra de soja no País. Há 15 dias, segundo Moacir Francisco Dall Orsoleta, gerente da transportadora Agotran, do Mato Grosso, havia caminhões sobrando nas regiões produtoras. Hoje, o cenário é outro, pois a colheita segue firme com o clima favorável. Há registro de apenas algumas pancadas de chuva no final do dia. ''Atualmente, há grande oferta de mercadoria e poucos veículos para transportar o produto'', diz Orsoleta.
Ele destaca que um dos fatores que puxa o preço do frete é o custo para manutenção de um caminhão rodando nas estradas brasileiras. ''Atualmente, manter um caminhão na estrada custa em média R$ 2 por quilômetro rodado, enquanto o frete está em torno de R$ 3,10 a 3,20'', explica. Essa margem é muito baixa diante dos custos com diesel, com a manutenção do veículo, e ainda com a depreciação do próprio caminhão.
Segundo Orsoleta, o valor do frete recuou 10% no ano passado, mesmo diante dos preços mais altos do diesel. ''Mas este ano o frete deve subir.'' Ele lembra que, no ano passado, o litro do diesel estava em torno de R$ 1,75 à vista e de R$ 1,80 a prazo. Hoje, o combustível na região está cotado a R$ 1,99 à vista e a R$ 2,08 a prazo. Além do combustível, outros fatores que influenciam nos preços do frete são os custos diretos, decorrentes da parte mecânica e manutenção dos veículos; e indiretos, como a redução da velocidade em rotas mais longas nas estradas em más condições.
No auge da safra no ano passado, o frete nas principais rotas rodoviárias do Mato Grosso com destino aos portos de Paranaguá e Santos ficaram em R$ 130 e R$ 140, respectivamente. Os valores ficaram abaixo dos altos preços registrados em 2004, ano atípico com safra recorde e preços elevados do cereal, que ficaram entre R$ 155 e R$ 160 por tonelada.


