Vânia Casado
De Curitiba
A alta no preço do farelo de soja, ocorrida nos últimos 15 dias, prejudicou ‘‘seriamente’’ a suinocultura a ponto de os criadores pressionarem as indústrias por reajustes nos preços da carne, na tentativa de repassar o diferencial. O produto que era vendido em torno de R$ 210,00 a tonelada, passou para R$ 330,00 a tonelada, uma alta de quase 50%, queixou-se ontem o presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), Romeu Carlos Royer. Ele calcula que nos custos de produção do suíno vivo, a alta foi de 8% nos últimos dias, que corresponde à margem de rentabilidade praticada pelo setor.
Pressionados pelo lado dos custos, os produtores estão tentanto um escape via indústria. Na semana passada eles formalizaram um pedido de reajuste no preço do animal vivo. A indústria, por sua, vez alega que também trabalha com margem estreita e o mercado está rejeitando repasse de custos. Daí o impasse. A preocupação aumenta com a expectativa no preço do milho, que entra com 70% na composição de alimentação dos animais. O farelo de soja participa com 24% e o restante são suplementes vitamínicos.
Segundo a APS, o produtor integrado está recebendo em média R$ 0,90 mais bonificação por quilo de suíno vivo. O Sindicarnes (Sindicato da Indústria da Carnes e Derivados) alega que essa bonificação varia em média de R$ 0,06 a R$ 0,07 por quilo, conforme a qualidade da carcaça entregue no frigorífico.
‘‘Se antes a margem era estreita, agora ela ficou zerada e dependendo da produtividade de alguns criadores, ela é até negativa’’ afirmou Royer. Com isso, o setor está descapitalizado, sem capital de giro para comprar os insumos necessários à produção, justamente num período que o estoque de milho produzido na propriedade está no fim. No mercado, o criador está pagando o milho entre R$ 9,00 a R$ 9,50 a saca.

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