Vânia Casado
De Curitiba
O reflexo da alta do dólar é imediato na comercialização do trigo, que começa a ser colhido no Norte e Oeste do Paraná, informou Nelson Costa, assessor econômico da Ocepar. A expectativa é que o preço do grão, atualmente entre R$ 210,00 a R$ 215,00/t, avance para R$ 230,00 a R$ 240,00/t, refletindo a variação do câmbio e as pressões inflacionárias.
Esse ano a comercialização do trigo deverá ser favorável em função do encarecimento das importações. O mercado já fala que o trigo argentino está chegando em São Paulo por R$ 300,00/t, o que deverá aumentar o interesse dos moinhos pela produção nacional porque as expectativas até agora é que a produção deverá ser de qualidade.
Para Nelson Costa, apesar das facilidades de financiamento com juros internacionais e prazos de pagamento, os moinhos vão continuar importando já que o país produz o equivalente a um terço do consumo. A expectativa é que sejam colhidas 2,5 milhões de toneladas de trigo, sendo 1,5 milhão de t no Paraná.
Enquanto os produtores e cooperativas comemoram as condições favoráveis de comercialização, as lavouras da região Centro-Sul, entre Guarapuava e Ponta Grossa estão sentindo a falta de chuvas. A estiagem nessa região já ultrapassa 30 dias e as lavouras estão em fase de desenvolvimento vegetativo, período que mais precisam de água. Se não chover nos próximos dias, a situação começa a ficar preocupante, disse Costa.
Já nas regiões Norte e Oeste, onde as lavouras estão próximas ao período de colheita, a estiagem e até benéfica avaliou Otmar Hubner, técnico da Seab. As culturas estão em bom estado, devendo render grãos de qualidade superior, conforme as exigências dos moinhos, salientou o técnico. A produtividade esperada é de 2.100 kg/ha, se não ocorrer perdas. Hubner acredita que vai chover nos próximos dias, a ponto da cultura se recuperar.

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