O presidente Fernando Henrique Cardoso comemorou ontem a disparada nas cotações do dólar, decorrente da aprovação do projeto de lei que amplia o acesso da Receita Federal ao sigilo bancário. Na opinião dele, é uma prova de que a lei aprovada pelo Congresso está correta. ‘‘Eu achei fantástico’’, comentou o presidente, durante o encerramento da cúpula do Mercosul. ‘‘Isso mostra que a lei é boa porque tem gente que está com medo de não poder mais sonegar’’, avaliou.
Ele ressalvou que a disparada das cotações atingiu apenas o mercado paralelo, o que não produz impacto no mercado oficial. O ministro da Fazenda, Pedro Malan, endossou o raciocínio do presidente e também se declarou satisfeito com os sinais dados pelo mercado ontem. ‘‘É o dólar do mercado negro, de transações ilegais’’, comentou Malan. ‘‘Não é o dólar de 99% das transações oficiais do País.’’
Na quarta-feira, o Congresso aprovou projeto de lei que permite a Receita Federal, mediante autorização da Justiça, usar dados do sigilo bancário para subsidiar investigações em torno de sonegação fiscal. Esta é uma das propostas com que o governo pretende arrecadar os recursos necessários para sustentar a fixação do salário mínimo em R$ 180,00 a partir de 2001.
Mercado O dólar paralelo continuou em alta ontem. No início da tarde, o black era cotado a R$ 2,20 na venda, 1,24% acima do fechamento de anteontem e com um ágio de 11,90% sobre o dólar comercial. No fechamento do dia, a moeda americana no paralelo ficou em R$ 2,1930, alta de 0,92%. A alta do dólar reflete a pressão tradicional de fim de ano, que estaria sendo acentuada pela aprovação no Congresso da lei que permite à Receita quebrar o sigilo bancário, cruzando os dados da CPMF com a renda declarada pelos contribuintes para identificar a sonegação de impostos.
Alguns analistas, porém, relativizam o impacto da lei no dólar. Eles observam que é comum o dólar subir em dezembro, tanto o comercial quanto o paralelo, devido a pressões sazonais.

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