Alta do dólar já encarece importados
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de janeiro de 1999
Pedro Livoratti 
A desvalorização do real está obrigando alguns setores a fazer uma verdadeira ginástica para manter a competitividade. Comerciantes do segmento de importados, que conquistou uma clientela expressiva depois da abertura comercial, alegam que já estariam sofrendo aumentos de custos da ordem de até 20% em alguns itens. Mas os varejistas sabem que no balcão a coisa é bem diferente. Qualquer alta pode significar fuga de clientes e vendas em queda. Em nome da competitividade, lojistas empurram compras para depois, reduzem margens e selecionam os artigos na hora de repor o estoque.
Tivemos de reduzir a margem de lucro para manter os preços aos níveis de antes, informa a gerente da Paracatu Importados, de Londrina, Tânia Hara. Esta semana a lojista esteve em São Paulo e constatou que os artigos similares aos que preenchem 90% das prateleiras das duas lojas do grupo já estavam mais caros. No meio da semana, o dólar esteve cotado em média a R$ 1,60 no câmbio comercial. Segundo a comerciante, os importadores afirmam que pretendem repassar a diferença integralmente para os varejistas.
Para contornar a situação, Tânia acabou comprando apenas mercadorias que sofreram alterações menores. Nas prateleiras, os produtos repostos após a alta da moeda americana estão entre 8% a 10% mais caros. Valores praticáveis, segundo ela.
Acho que temos que procurar nos adaptar ao mercado. Neste momento, é preciso mudar o perfil do estoque, além de reduzir margens, afirma. Segundo Tânia, entre os importados que subiram mais os preços de custo estão os de cristais e bebidas. Material escolar, que tem grande procura no final de janeiro, não teve grande correção, afirma.
Na loja de importados, Ibrahim Presentes, as compras dos produtos que tiveram aumento foram suspensas na última semana. Algumas mercadorias, como os isqueiros, tiveram correção de 20% e o estoque não foi renovado, segundo informou uma das proprietárias, Elisabeth Haouli.
Segundo ela, esta semana foi possível comprar cristal nacional, de um fornecedor que estava fazendo promoção. A lojista afirma que pretende voltar a repor o estoque somente quando o dólar se estabilizar. A expectativa dela é de que a moeda americana fique na casa de R$ 1,40.
Com relação aos aumentos nas prateleiras, a comerciante disse que só reajustou os preços de perfumes e bebidas, que são produtos que ainda estão sendo pagos. O restante do estoque, pago à vista, não foi corrigido nesta semana. Ainda segundo Elisabeth, o setor de importados poderá ter uma boa noção do que deverá acontecer este ano durante a realização de um feira, no mês de março, reunindo fornecedores. Será nosso termômetro. Aí poderemos saber como poderemos comprar, afirma.


