Alta do dólar já beneficia produtor
Os poucos produtores que ainda não comercializaram a soja da safra 97/98 estão sendo os primeiros beneficiados com a alta do dólar. Em uma semana, o preço da commoditie aumentou 12% no mercado interno. Após um período de perplexidade e paralisação nos negócios nos três primeiros dias que se seguiram à mudança do câmbio, as cooperativas do Paraná estão repassando a valorização da moeda norte-americana aos preços do grão, informou Flávio Turra, assessor da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
Turra disse que ainda há espaço para aumentar o preço pago ao produtor, se for mantida a cotação no mercado internacional, que permanece estabilizada em torno de US$ 195,00 a tonelada, para entrega em março, na Bolsa de Chicago. O mercado ainda está se ajustando e a desvalorização do real na faixa de 40%, aumenta a possibilidade de repasse maior, justificou.
No mercado interno, as cooperativas estavam pagando em média R$ 12,40 a saca no dia 18 de janeiro. Ontem, já estavam pagando R$ 13,80 a saca, variação ocorrida somente no mercado interno. Apesar disso, os negócios continuam lentos e os produtores que ainda detém cerca de 2% da safra do Estado não estão dispostos a vender a mercadoria. São aproximadamente 150 mil toneladas da safra passada que estão nas mãos dos produtores. A maior parte do volume produzido, de 7,2 milhões de toneladas, já foi comercializada.
O técnico da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Otmar Hubner, aconselha a venda dos estoques da safra passada ainda neste período de entressafra que se estende até meados de fevereiro. O produtor estará sendo beneficiado com a cotação de entressafra e com o ganho do dólar. Quando começar a colheita da nova safra, talvez as cotações recuem um pouco, comentou. Segundo Hubner, o momento é favorável à comercialização da soja brasileira, que sempre tem mercado no exterior. O técnico alertou para o fato de este ano ocorrer competição no mercado externo, em função da boa produção também registrada na Argentina. Aquele país deverá colher 16,5 milhões de toneladas e os produtores argentinos irão competir com os brasileiros, advertiu. A Argentina vai influenciar mais na cotação internacional e o preço pode cair, refletindo no mercado interno.
Segundo o assessor da Ocepar, a preocupação é com a comercialização da safra 98/99, que começa a ser colhida em fevereiro. A Ocepar alerta o produtor para que evite concentrar a venda da soja no período de colheita, para não derrubar os preços, prática comum em época de safra. Apesar de o mercado ainda estar indefinido, a orientação das cooperativas é para o produtor escalonar as vendas e não provocar uma corrida rumo ao porto.
Para Turra, também o produtor que já vendeu a safra anterior será beneficiado com a próxima comercialização. Este quadro, porém, poderá não se repetir com a comercialização da próxima safra, mesmo se o câmbio se mantiver liberado. Com a tendência do repasse da variação do dólar ao preços dos insumos, certamente o produtor vai se deparar com um outro custo de produção na próxima safra, explicou. Na safra 98/99 o produtor desembolsou cerca de R$ 9,00 para produzir uma saca de soja e já está recebendo acima de R$ 13,50, com a tendência deste valor ser elevado ainda mais.Arquivo FolhaReflexo positivoProdutores que seguram ofertas podem colher agora bons negóciosVânia Casado





