Alta do dólar favorece viagens domésticas
Estudo aponta que a procura por destinos de janeiro a junho no Brasil cresceu 30% em relação ao mesmo período de 2018
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de agosto de 2019
Estudo aponta que a procura por destinos de janeiro a junho no Brasil cresceu 30% em relação ao mesmo período de 2018
Luiz Marcos Fernandes - Especial para a FOLHA 

Com o dólar quebrando a barreira dos R$ 4, os turistas brasileiros têm optado, em sua grande maioria pela viagens nacionais. Além da oscilação da moeda norte-americana, as incertezas na economia e na política têm contribuído também para que o chamado mercado de viagens domésticas registre alta. De acordo com um estudo da agência de viagens on-line, Expedia, entre janeiro e junho, a procura por destinos no Brasil cresceu 30% em relação ao mesmo período de 2018, sendo que o mercado doméstico foi o que mais registrou demanda de viagens dentro do País, o que implica num percentual de 77% na demanda do turismo emissor. Os outros 23% foram preenchidos principalmente por visitantes oriundos de países como Estados Unidos, Argentina, Chile, Reino Unido e México.
Dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), reafirmaram o otimismo com o turismo no País, mesmo diante das incertezas, e apontaram aumento do volume de atividades turísticas no Brasil, apesar das indefinições nas áreas política e econômica.
Com relação ao primeiro semestre deste ano, as atividades turísticas no País registraram um aumento maior do que muitos setores que integram a atividade econômica no Brasil ao obterem um crescimento de 3,1% , em relação aos primeiros seis meses de 2018. As atividades que mais impulsionaram o setor foram, novamente, os hotéis, locação de automóveis, além dos serviços de catering, bufê e outros serviços de comida preparada.
O índice da atividade econômica em junho cresceu 2,6% em relação ao mesmo período do ano passado, influenciado pelas empresas de hotéis, de locação de automóveis e de restaurantes. A locadora Movida divulgou na semana passada os seus últimos resultados. A companhia informou que encerrou o segundo trimestre com lucro líquido de R$ 41,5 milhões, o que representa crescimento de 4% ante os R$ 39,90 milhões de um ano atrás. Entre abril e junho de 2019, a locadora teve receita líquida de R$ 956,2 milhões, alta de 56,8% ante os R$ 609,9 milhões do mesmo período do ano passado. Na abertura de 2019, o resultado das entradas líquidas foi de R$ 812,5 milhões.
No setor aéreo não tem sido diferente. A oferta de assentos disponibilizada pelas companhias aéreas nacionais e a demanda por este serviço no Brasil registraram crescimento idêntico de 7,4% no mês passado, em comparação com o mesmo período de 2018. No total, foram transportados 8,8 milhões de passageiros em voos nacionais, alta de 6,7% no comparado ano a ano. Entre as aéreas, a Gol detém 38,5% do share mantendo assim a liderança seguida por Latam (30%), Azul (18,8%) e Avianca (12,7%), lembrando que a Avianca deve diminuir mês a mês sua participação em função da paralisação dos voos da companhia.
No período que vai de janeiro a julho deste ano, o crescimento da demanda doméstica de passageiros foi de 4,7% em relação ao mesmo período do ano passado. A oferta, por sua vez, registra crescimento levemente superior, de 4,8%. Ao todo, foram transportados 53,3 milhões de passageiros, aumento de 3,8% em relação ao ano anterior.
LUXO
Na hotelaria, novos empreendimentos também têm fomentado o mercado e grandes cadeias chegam ao Brasil. O primeiro empreendimento da rede americana Hard Rock Hotel no Brasil nem abriu as portas ainda e a empresa já está anunciando o sexto complexo turístico por aqui. Depois de Fortaleza, São Paulo, Ilha do Sol (Paraná), Caldas Novas (Goiás) e Natal, Foz do Iguaçu vai receber um hotel de 564 suítes, com inauguração prevista para 2025. Sem contar o terreno de 245 mil metros quadrados, o investimento no projeto é de R$ 180 milhões, de acordo com a Venture Capital Investimentos (VCI), a incorporadora responsável. Nesses empreendimentos, cerca de 30% dos quartos são administrados no modelo de hotelaria tradicional e o restante é vendido como imóvel para investidores e turistas que podem usufruir da acomodação por duas semanas ao ano.
Por sua vez a Fairmont Hotels & Resorts acaba de abrir as portas do Fairmont Rio de Janeiro Copacabana, com 375 apartamentos de luxo com varandas, sendo 68 suítes, além de duas piscinas, spa, fitness center, centro de convenções e 13 salas de reuniões distribuídas por seus 1,5 mil metros quadrados. O empreendimento fica na praia de Copacabana e ocupa o espaço do antigo Sofitel Copacabana. O grupo conta com 75 empreendimentos de alto luxo espalhados em todo o mundo e no Brasil acabou firmando uma parceria com a rede Accor.
ESTADOS
Já em relação aos estados, o destaque para as atividade turísticas tiveram melhores resultados na região Nordeste, onde foram registradas as maiores altas: O Ceará foi a unidade federativa que teve o melhor desempenho: aumento de 10,9%, seguido da Bahia (6,9%) e Pernambuco (6,5%). Minas Gerais também registrou crescimento expressivo: 5,2% em relação a junho do ano passado. O Ministério do Turismo tem trabalhado para tentar tornar o setor de Viagens com melhores resultados para a economia.
Mais qualidade para
serviços turísticos
Em pouco mais de sete meses de governo, a atual gestão já investiu R$ 233 milhões em 410 obras de infraestrutura turística que levarão mais qualidade para os serviços turísticos dos destinos brasileiros. Além disso, o MTur lançou o programa Investe Turismo, com investimentos de mais de R$ 200 milhões, para alavancar o desenvolvimento de 30 rotas turísticas espalhadas em todo o País.
Outra medida que o Governo tem investido é no sentido de impulsionar a entrada de empresas aéreas estrangeiras para tornar o setor ainda mais acessível à população, com preços menores e uma diversidade de opções para viajar. A Air Europa foi a primeira a se instalar no País e já está autorizada a operar voos entre destinos nacionais. Outro exemplo é a chegada da low cost argentina Flybondi, que incluiu o Brasil em sua estratégia de mercado e já vende bilhetes de Buenos Aires a duas cidades brasileiras: Rio de Janeiro e Florianópolis. O problema é que essas empresas não terão como operar em aeroportos como Guarulhos, Congonhas e Santos Dumont, em função de não terem slots.
O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, comemorou os números positivos do turismo divulgados pelo IBGE e refirmou a relevância do setor para alavancar a economia brasileira. “As notícias são boas. O turismo realmente chegou no momento que está tendo contribuição efetiva com a economia do País, gerando emprego e renda para a população”, afirmou.


