Alta do dólar elevou dívida pública em R$ 6 bi em maio
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terça-feira, 26 de junho de 2001
Agência FolhaDe Brasília 
A alta de 8% registrada pelo dólar em maio levou a um aumento de R$ 10 bilhões na dívida pública federal. Entre janeiro e maio, essa dívida subiu R$ 23 bilhões devido à desvalorização do real. Os cálculos são do chefe do Departamento de Operações do Mercado Aberto do Banco Central, Sérgio Goldenstein.
Esses números se referem apenas à dívida pública contraída dentro do Brasil e não consideram o efeito do câmbio sobre o endividamento externo. A alta registrada pelo dólar em maio foi compensada por resgates de R$ 13 bilhões de títulos públicos feitos pelo Tesouro Nacional. Isso quer dizer que o governo decidiu não renovar empréstimos feito por meio da venda de títulos no mercado que venceram no mês passado.
O coordenador-geral da Dívida Pública, Paulo Valle, disse que o dinheiro para fazer esse resgate veio do próprio caixa do Tesouro. Com isso, a dívida pública ficou em R$ 554,56 bilhões em maio, um aumento de R$ 6 bilhões. Além da alta do dólar, a dívida subiu por causa do aumento promovido pelo BC nos juros básicos da economia, que passaram de 16,25% para 16,75% ao ano. Hoje já estão em 18,25%.
Além do impacto da desvalorização em si, a dívida também subiu R$ 5,8 bilhões entre janeiro e maio por conta da estratégia utilizada pelo BC para conter a desvalorização do real. Em vez de intervir diretamente no mercado vendendo dólares, muitas vezes o BC preferiu vender títulos públicos que são corrigidos pela variação cambial. Neste mês, o BC já vendeu R$ 2 bilhões em títulos cambiais.
Com essa ação do BC, o endividamento do governo, em dólar, subiu. No mês passado, a parcela da dívida pública corrigida pelo câmbio era de 27,09%. Em dezembro de 2000, essa proporção era de 22,27%.
Em compensação, a parte prefixada da dívida em que a taxa de juros é definida no momento em que o negócio é fechado passou de 14,76% em dezembro passado para 11,39% em maio.
Nos momentos de instabilidade, os investidores fogem dos títulos prefixados, pois eles proporcionam lucros menores quando acontece um aumento nos juros básicos da economia. Neste ano, a taxa já subiu três pontos percentuais. A maior parte da dívida pública é pós-fixada e acompanha as oscilações dos juros básicos. Essa parcela corrigida pela taxa Selic corresponde a 49,42% do endividamento do governo federal.


