A alta do dólar elevou o Índice Geral de Preços (IGP-DI) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) para 1,46% em junho, a maior inflação registrada pelo indicador desde agosto de 1998. A taxa representou um aumento significativo sobre o indicador de maio (0,44%). Segundo o chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV, Paulo Sidney de Melo Cota, o índice deverá ser ainda maior em julho, atingindo entre 1,60% e 1,70%, pressionado pela moeda americana e pelos preços administrados.
No ano, o IGP-DI já acumula alta de 4,74% e nos últimos 12 meses, de 14,29%. A maior pressão do dólar continua ocorrendo no Índice de Preços por Atacado (IPA), que subiu de 0,18% em maio para 1,96% em junho, porcentual considerado ‘‘altíssimo’’ por Cota.
As maiores pressões no atacado estão relacionadas à escalada do dólar e ocorreram na soja (13,76%), trigo (14,12%), querosene para motores (26,20%) e óleo de soja refinado (8,14%). Segundo Cota, os preços no atacado vão ser pressionados em julho pela combinação entre dólar elevado, reajuste dos combustíveis e aumento nos preços das carnes, que estão na entressafra.
No caso do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), a variação foi de 0,52% em junho, superior aos 0,41% de maio. A pior notícia sobre o indicador está na previsão do aumento em julho, que segundo Cota deverá chegar a 1%. Os impactos serão dos preços administrados: reajuste de energia elétrica em São Paulo, tarifas de telefones residenciais e combustíveis. ‘‘Haverá uma elevação de tarifa no IPC, não de demanda’’, explicou. Segundo ele, não haverá outros aumentos de preços no varejo porque não existe demanda maior que a oferta, já que não está sendo registrada elevação de renda que justifique crescimento do consumo.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou elevação de 1,16% em junho. As principais influências foram da mão-de-obra (1,65%) e materiais e serviços (0,70%).

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