Favorecido pela alta do dólar, o setor de papel e celulose brasileiro está experimentando neste ano um impulso no volume das exportações, na comparação com o ano passado. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), Boris Tabacof, a indústria deve fechar o ano com exportações de US$ 2,6 bilhões, contra US$ 2 bilhões no ano passado.
''De 94 a 99, quando a moeda (real) ficou amordaçada, o setor sofreu um tremendo estrago. Mas a partir de 99 (quando o governo promoveu a maxidesvalorização), as coisas mudaram. Nossa atividade tem sido estimulante com um câmbio favorável como o de hoje'', disse Tabacof, durante a abertura do 34º Congresso Técnico e Exposição Industrial de Celulose e Papel (ABTCP 2001). No caminho inverso das exportações, as importações devem sofrer queda de US$ 600 milhões a US$ 700 milhões este ano, estimou.
O presidente da Bracelpa ressaltou ainda os efeitos do racionamento energético sobre a indústria papeleira. Ele lembrou que a indústria de papel foi quem teve que se adequar melhor às regras baixadas pelo governo federal, que estipulou em 25% a meta de economia de energia, contra 15% para as fabricantes de celulose. O executivo afirmou que, apesar de todos os efeitos do racionamento, um resultado negativo no setor papeleiro foi compensando pela variação cambial e pelo próprio esforço dos empresários do setor, que criaram mecanismos para driblar a crise.
Em relação ao ano que vem, Tabacof preferiu não fazer previsões. ''Minha bola de cristal está meio embaçada'', brincou. ''O que nós sabemos é que os quatro cavaleiros do apocalipse (crise energética, crise argentina, sucessão presidencial e conflito nos EUA) estarão resolvidos em 2003'', disse.
A um ano das eleições, o presidente da Bracelpa evitou comentar mais profundamente o impacto que o ''terceiro cavaleiro'' (sucessão) terá sobre o setor.''Não queremos fazer um posicionamento político agora. Vamos esperar saírem os nomes dos candidatos para chamá-los para conversar'', disse.

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