Curitiba - A alta do dólar já começou a trazer bons resultados para os preços das commodities, especialmente para a soja. Na avaliação geral dos especialistas consultados pela FOLHA, a elevação da moeda traz mais reflexos positivos do que negativos. Os principais são o aumento da competitividade da agropecuária, a melhora nas exportações e a elevação dos preços pagos ao produtor. O aspecto ruim é a elevação dos preços dos fertilizantes que são utilizados como insumos.
''O aumento do dólar vai reforçar o caixa do agronegócio e a receita do exportador'', analisa o presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Mendes Lourenço. Ele acredita que os itens que terão mais impacto serão carnes, açúcar e soja. ''O dólar deve ficar entre R$ 2,05 e R$ 2,15. Não há espaço para valorizar mais'', argumenta. Lourenço prevê que o Banco Central não vai tolerar uma valorização maior da moeda por movimento especulativo. Segundo ele, com a alta do dólar, é possível repor parte do que foi perdido com a estiagem.
O assessor da gerência técnica-econômica da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Robson Mafioletti, afirma que o trigo importado ficará mais caro. A consequência positiva é que os moinhos brasileiros podem vir a valorizar mais o produtor nacional.
''O aumento do dólar é positivo para a exportação. Ajuda na melhoria dos preços'', diz. Ele destacou que a elevação do dólar é sinal que a economia mundial está em crise. A médio e longo prazos, a crise pode trazer redução na demanda mundial por alimentos, o que seria preocupante.
Segundo ele, para o produtor já houve alguma melhoria com o aumento do dólar. A média da saca de 60 kg de soja no Paraná estava em R$ 56,50 na última quinta-feira. Em maio de 2011 era R$ 42,50. Mafioletti aponta que as principais explicações para isso são o aumento do dólar e a quebra da safra, que também ajudou a elevar os preços.
A cana-de-açúcar, que era vendida a R$ 42,27 a tonelada em abril de 2011, no mesmo mês deste ano passou a R$ 51,97. Ele acredita, porém, que as perspectivas de preços para as commodities são boas com o dólar, mas não devem se manter muito tempo neste patamar.
Com o preço alto da soja, os produtores devem ficar estimulados a plantar mais. Outro fator positivo é que a previsão é de normalidade no clima na América do Sul, o que pode estimular o plantio. Hoje, a China é o principal mercado e compra cerca de 61 milhões de toneladas por ano do produto.

Imagem ilustrativa da imagem Alta do dólar beneficia commodities
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