Alta do dólar aquece o turismo doméstico
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de janeiro de 1999
Pedro Livoratti 
A crise cambial tornou as viagens internacionais mais caras e acabou beneficiando o turismo doméstico. Agentes de viagens já falam em aquecimento neste final de temporada, em virtude da migração dos turistas. A alta de mais de 40% no dólar fez com que muitos optassem pelas praias do Nordeste a uma temporada nos Estados Unidos ou Caribe. Até o início deste mês, antes da crise cambial, o comportamento de grande parte dos turistas era exatamente o contrário. Um pacote para Nova York chegou a custar mais barato do que uma excursão de sete dias para duas capitais do Nordeste brasileiro. A elevação do dólar foi a gota dágua para tornar o turismo doméstico mais atrativo.
Segundo estimativas da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav), o turismo internacional, que teve no ano passado um aumento de 15%, deve tem a partir de agora uma queda no seu ritmo de crescimento de 50% para 7,5%. Em virtude disso, as empresas que atuam no setor já lançam promoções para tentar manter a clientela (leia abaixo).
O gerente da operadora Soletur em Londrina, Rodolfo Roehrig, diz que os turistas que pretendiam viajar para a América do Sul e Caribe trocaram os seus pacotes para as praias do Nordeste. Ele acredita que esta tendência se mantém pelas próximas semanas, podendo ter reflexos também na próxima temporada.
Quem fechou o pacote pela cotação antiga não cancelou, mas os clientes que apenas tinham reservas preferiram ficar no Brasil após a alta, afirma. Com relação aos pacotes para o exterior, ele informa que a operadora está oferecendo preços até 16% mais baratos que antes da elevação do dólar. Ele afirma, no entanto, que os preços podem cair ainda mais. Tudo depende do mercado.
A gerente da Albatroz Turismo, Flávia Moraes, afirma que o aquecimento também já pode ser verificado nas vendas da baixa temporada, que começa partir do fim do carnaval. Segundo ela, quem tinham pretendia viajar para exterior está procurando os destinos mais sofisticados, como Ilha de Comandatuba, na Bahia, ou Cabo de Santo Agostinho, em Recife. Segundo a gerente, a alta do dólar coincide com uma maior profissionalização do turismo do Nordeste, onde os hoteleiros estão investindo em atendimento e infra-estrutura. Segundo ela, os resorts e hotéis 5 estrelas estão cada vez mais comuns nas cidades nordestinas. O objetivo é exatamente atrair o turista brasileiro que normalmente vai para o exterior.
Na operadora CVC a expectativa é de que as viagens nacionais acabem sendo a grande maioria dos negócios a partir deste mês, segundo a gerente Márcia Mira. Esta tendência, diz, deve se manter até a estabilidade do dólar.


