A disparada do dólar não teve reflexos imediatos nos preços dos alimentos importados e nacionais, eletroeletrônicos, computadores e linha de presentes em Londrina porque as lojas ainda estão estocadas. O setor de viagens internacionais, porém, começa a se retrair já que os preços são cotados em moeda americana. Embora a maioria dos comerciantes garanta não ter alterado as etiquetas das mercadorias, muitos consumidores desapareceram das lojas especializadas.
A alta dos preços tanto dos produtos estrangeiros como dos nacionais, cujos insumos e componentes vêm do exterior, está sendo contida pelos lojistas junto aos fornecedores. ‘‘Nós não aceitamos pagar mais caro por um produto só porque o dólar subiu. As fábricas nacionais têm níveis de estoques de componentes de 30 dias. Não há motivo para aumentos imediatos’’, adverte o diretor do Carrefour em Londrina, Valter Ludovico.
Ele admite que, se a cotação do dólar não voltar a US$ 2 num prazo de um mês, a situação irá se ‘‘complicar’’. ‘‘Aí não vai dar para segurar mais’’, disse. Ludovico afirmou que os produtos importados da loja fazem parte de um estoque comprado pelo Carrefour num câmbio de cerca de US$ 1,90. ‘‘Por enquanto as vendas estão normais.’’
O presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Carlos de Paiva Lopes, também garante que até o momento a alta do dólar não provocou nenhum impacto significativo nos custos do setor. Ele explica que os contratos de importação dos produtos são feitos a longo prazo e que as operações de compra são protegidas por ‘‘hedge’’.
O setor trabalha com a expectativa de que o dólar se estabeleça no patamar de R$ 2,05. Segundo Lopes, a indústria ainda não avaliou reajustes de preços mas está preocupada já que é bastante dependente das importações de componentes.
O proprietário da empresa londrinense Vinhos e Cia, Acir Valença, disse que as vendas caíram 20% neste mês. ‘‘A queda representa quatro folhas de pagamento da empresa. É que a maior parte dos meus clientes é composta por investidores que dependem do dólar.’’
Valença garante que está reduzindo as margens de lucro para conter as remarcações. ‘‘Desde janeiro os importadores trabalham com uma lista de preço em dólar. Mas ainda tenho muito estoque antigo.’’
A gerente da Paracatu Importados, Tania Hara, também disse que o movimento da loja diminuiu. ‘‘Mas os preços não aumentaram porque temos estoque’’, afirmou. Desde o ano passado, os produtos cujos preços subiram mais foram as bandejas e outros itens de inox. ‘‘O aço usado pelas fábricas nacionais é dolarizado. Uma bandeja que há um ano custava R$ 31, é vendida atualmente por R$ 45.’’
A variação do dólar pode representar uma diferença de R$ 30 no bolso do consumidor, num pacote de viagens de US$ 1 mil. Na última sexta-feira a cotação para emissão de passagens fechou a R$ 2,2030. Para amanhã, a previsão é de R$ 2,2320. ‘‘Para uma família de cinco pessoas a diferença em apenas três dias é significativa’’, disse a diretora regional da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav), Valéria Cezar, que também é proprietária da Tour Company, em Londrina.
Na semana passada os clientes não cancelaram as viagens programadas na agência. ‘‘Se a cotação não se normalizar, as viagens internacionais para julho ficarão prejudicadas’’, disse Valéria. ‘‘Esperamos um recuo para menos de R$ 2,20, o que provocaria um efeito psicológico positivo nos clientes.’’
Na Giramundo Turismo, as vendas de viagens internacionais caíram 50% desde o início deste ano. ‘‘Os pacotes para a Disney também foram reduzidos pela metade’’, disse a sócia-proprietária da Giramundo Turismo, Sandra Padulla. Um pacote de uma semana em qualquer capital européia custa cerca de US$ 1,5 mil. ‘‘Ou seja, em um ano o preço em real dobrou.’’(com Agência Folha)

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