Alta do dólar agravou
a crise das indústrias
Arquivo FolhaCâmbio caro: entrave‘‘Estamos perdendo dinheiro no Brasil por causa da desvalorização da moeda’’, explicou Okabe. O aumento do valor do dólar é, aliás, a causa mais apontada entre os executivos da indústria automobilística para explicar a crise no setor. A desvalorização pegou a indústria no meio do processo de nacionalização da produção. Quem estava mais adiantado neste trajeto – caso da francesa Renault, instalada no Paraná – se saiu bem.
A Renault já conseguiu colocar nas suas linhas uma quantidade razoável de componentes nacionais, reduzindo sensivelmente os seus custos de produção. E o melhor é que já inaugurou no País até uma fábrica de motores, a parte mais complicada e cara para ser importada.
Já a General Motors e Suzuki, que se associaram para produzir o Grand Vitara na América do Sul, optaram pela Argentina para aproveitar a paridade cambial naquele país. ‘‘Não podemos começar a fabricar um novo veículo com índice de nacionalização maior do que 25%’’, explicou Henderson. ‘‘E isso fica difícil com o câmbio caro’’, completou.
Mesmo os executivos que insistem no discurso de que os investimentos ‘‘são para longo prazo’’ não escondem a preocupação com as crises que afetaram o ‘‘país do futuro’’. O presidente mundial da Ford, Jacques Nasser, apontou a Bahia – terra onde a montadora começou a construir uma fábrica – como um ‘‘ponto maravilhoso para uma estratégia de futuro’’. ‘‘Continuamos confiantes, mas a estabilidade é muito importante para nós’’, frisou.