Carmem Murara
De Curitiba
O aumento da taxa de inflação não preocupa o presidente do BankBoston, Geraldo Carbone. Ele afirmou ontem, em Curitiba, que o crescimento do custo de vida não representa uma tendência de alta, mas apenas uma questão pontual que não se repetirá nos próximos meses. ‘‘Há um terrorismo quando se fala em inflação’’, afirmou. Carbone esteve visitando as três agências do banco em Curitiba e manteve contatos com clientes.
O presidente do BankBoston disse que o banco não endossa a previsão ‘‘alarmista’’ de inflação que há no País. Ele lembrou que, em janeiro deste ano, quando houve a desvalorização cambial, muitos economistas fizeram previsões catastróficas. Eles afirmaram que o Brasil fecharia o ano com inflação que poderia chegar a 50% e com um crescimento negativo próximo a quatro pontos percentuais. ‘‘Mas as previsões não se confirmaram e teremos uma inflação entre 8% e 9% e não haverá queda no PIB, que ficará próximo a zero’’, afirmou o presidente do banco.
Carbone disse que encara a situação econômica brasileira com ‘‘otimismo moderado’’, que lhe permite prever uma inflação de no máximo 8% para o próximo ano. Ele se disse otimista também com relação à balança comercial, que poderá atingir US$ 7 bilhões em 2000, pois aos poucos o setor empresarial começa a responder ao estímulo para exportação.
Segundo Carbone, os próprios clientes do BankBoston têm manifestado interesse em exportar mais, nos últimos meses. ‘‘As previsões iniciais sobre a exportação foram muito simplistas. As empresas não reagem tão rapidamente à exportação’’, afirmou.
Apesar de toda a oscilação econômica vivida neste ano, o BankBoston aposta suas fichas no potencial de crescimento que o País representa. Há 53 anos atuando no Brasil, o banco tem hoje 140 mil clientes e pretende chegar a 300 mil até o final do próximo ano. Hoje, os negócios brasileiros representam 3% do total da instituição financeira.

mockup