Brasília- A alta de 0,75 ponto porcentual na taxa básica de juros, adotada pelo Banco Central, gerou desconforto no ministério da Fazenda, que está preocupado com a possibilidade de que a dosagem dos juros coloque em risco o crescimento da economia em 2009. O ministro Guido Mantega e sua equipe consideram que o movimento do BC foi surpreendente e vão acompanhar os desdobramentos da medida no mercado financeiro e checar a reversão das expectativas inflacionárias. Mais: a equipe da Fazenda tem o temor de que essa dosagem seja mantida nas próximas reuniões deste ano, como avaliaram setores do mercado financeiro.
A preocupação de Mantega é que a carga de juros leve o crescimento do próximo ano para um patamar abaixo de 4%, o que poderia provocar uma interrupção no ciclo de investimentos e reeditar o padrão ''vôo de galinha'', em que períodos de forte expansão econômica são seguidos de grande desaceleração. Além disso, a Fazenda teme que os movimentos do BC agravem o problema do câmbio e jogue mais lenha na fogueira da deterioração das contas externas, via ingresso de capital financeiro para aplicação nos juros brasileiros.
Apesar da discordância com o BC, a Fazenda mudou de postura. Desde que voltou de férias, Mantega não deu entrevistas para tentar pressionar publicamente o BC a permanecer no ritmo de alta de 0,5 ponto porcentual. Ao contrário: mantém-se calado e não concorda com análises de que saiu desgastado ou perdedor nessa nova aposta.

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