Agência Estado
De Brasília
Será o presidente Fer nando Henrique Car doso quem vai decidir o melhor momento para a divulgação do novo aumento dos preços dos combustíveis. A portaria autorizando o aumento do preços já está pronta, mas os ministérios da Fazenda e de Minas e Energia aguardam o sinal verde do presidente para anunciar a data em que os novos preços entrarão em vigor.
No entendimento da área econômica do governo, além do impacto na economia, o novo reajuste tem implicações também políticas, principalmente depois da greve dos caminhoneiros. Há também uma preocupação com o impacto negativo que causará na população mais um reajuste do produto. O ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, adiantou ontem que o percentual de reajuste será de apenas um dígito - mas próximo a 10% - e que será anunciado nos próximos dias. Segundo fontes do Ministério da Fazenda, o mais provável é que o anúncio ocorra ainda nesta semana, mas que os novos preços entrem em vigor somente na semana que vem.
Esse será o quinto reajuste dos combustíveis em 1999. Em fevereiro, o governo autorizou o primeiro aumento para compensar a elevação de 2% para 3% da alíquota da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Os outros três aumentos, autorizados em março, abril e junho, foram concedidos, segundo o governo, para compensar os efeitos da desvalorização do real e do aumento do preço do pretróleo no mercado internacional. Na última revisão do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o governo incluiu no Memorando de Política Econômica um parágrafo que prevê o reajuste dos combustíveis periodicamente, à luz de variações nos preços internacionais do petróleo e da taxa de câmbio.
Ontem o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Clóvis Carvalho, admitiu que o aumento da gasolina trará um impacto aos custos de produção, mas, segundo ele, ‘‘é muito melhor’’ que o País esteja competitivamente preparado para fazer frente a estes custos do que tenha de enfrentar, no futuro, ‘‘uma desvalorização ou a perda do poder aquisitivo da moeda’’.
O novo aumento ocorrerá inclusive nos preços do óleo diesel. O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, explicou ontem que o acordo fechado com os caminhoneiros na sexta-feira da semana passada, de suspender aumentos no preço do diesel, referia-se ‘‘apenas a reajustes programados para aquele dia’’.

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