A balança comercial terá efeito positivo de cerca de US$ 1,5 bilhão com a elevação de 50% nas cotações do café no mercado internacional em 1997. Segundo grandes exportadores de commodities agrícolas, o Brasil deverá incorporar esta renda adicional ao longo do ano, com novo estímulo à demanda agregada em regiões produtoras de café, além de ajudar a aumentar o volume de exportações do período. As contas feitas pelos exportadores são simples. O Brasil exporta 15 milhões de sacas de café por ano (no período de julho de 96 a junho de 97, o País superou a cota determinada pelos grandes produtores mundiais em 1,5 milhão de sacas por conta da falta de produto no mercado internacional). Em 96, o valor médio por saca foi de US$ 150 e este ano gira em torno de US$ 250. Ou seja, US$ 100 a mais por saca.
A cotação da saca de café de qualidade varia de US$ 220 a US$ 250. O efeito interno será ainda maior, caso se leve em conta que a safra de café praticamente dobrou no ano passado. Em 1995 a safra ficou em 13 milhões de sacas. Chegou a 26 milhões em 1996. A colheita atual deve ficar entre 22 milhões e 24 milhões de sacas. Para o próximo ano, as previsões giram em torno de 30 milhões de sacas. O consumo interno de café vem crescendo desde o Plano Real à média de 1 milhão de sacas por ano.
Mais consumo associado ao aumento das cotações provoca uma combinação que tem chamado a atenção dos bancos e empresas comerciais, principalmente do setor automobilístico, que estão se voltando para as regiões produtoras nos seus planos estratégicos.
Outro setor agrícola que tem condições de contribuir para melhorar os números da balança comercial é a cultura de algodão. O Brasil já foi grande exportador de algodão, mas há três anos tornou-se importador do produto. Hoje, o País produz o correspondente a cerca de 30% do consumo interno, de 850 mil toneladas anuais (a produção é de cerca de 350 mil toneladas). Isso resulta em gastos com importações anuais da ordem de US$ 1 bi. O problema do algodão é o alto custo de investimento e a vantagem é o alto retorno para o produtor. Por essa razão, os principais sojicultores brasileiros estão direcionando investimentos para a produção de algodão, o que abre a perspectiva de equilíbrio neste item da pauta da balança comercial.

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