Alta de tarifa pública atinge a classe média
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terça-feira, 05 de dezembro de 2000
Emerson Cervi De Curitiba 
A exemplo do que acontece no resto do País, as tarifas públicas são as que mais pressionaram a inflação desde o início do Plano Real. Preços de serviços como fornecimento de energia elétrica, água e esgoto, transporte coletivo, táxi, telefone, gasolina, correio ou pedágio ficaram muito acima dos índices de inflação no mesmo período. Demais preços da economia privada como alimentos e aluguéis tiveram pouca variação, o que evitou um salto inflacionário.
Segundo o economista do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) em Curitiba, Nelson Karan, os efeitos dos reajustes dos serviços públicos têm sido sentidos principalmente pela classe média. A inflação é um índice médio, mas custos que fazem parte dela podem ter impactos maiores ou menores na renda familiar, dependendo do poder aquisito da família e do tipo de serviços que tiveram aumento, explica.
No caso de tarifas como energia elétrica, telecomunicações, água e combustíveis, é a classe média que apresenta o maior consumo. A classe baixa não tem Internet, aquecedor, telefone fixo e outros eletrodomésticos que causam impacto no custo final, diz o economista.
As tarifas de telefone foram as campeãs em aumento. No primeiro semestre deste ano ano a assinatura residencial teve um reajuste de 19,8%. Entre junho de 1994 (início do Plano Real) e junho de 2000, os aumentos na telefonia foram de 3.140,9%, cerca de 300 vezes acima do índice de inflação no mesmo período. (ver tabela acima).
A inflação no primeiro semestre de 2000 ficou em 2%, segundo o Índice do Custo de Vida (ICV) do Dieese. Pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), a inflação ficou em 1,13% e pelo Índice Geral de Preços (IGP), da Fundação Getúlio Vargas, foi de 3,16%. Nesse mesmo período houve reajustes superiores a 150% nas tarifas de pedágio cobradas em rodovias do Paraná.
Como os custos de outros produtos ou serviços não subiram na mesma proporção, a inflação não refletiu os aumentos das tarifas públicas. Os alimentos, por exemplo, que pesam mais nos custos da classe baixa, não apresentaram o mesmo desempenho de preços, compara o economista.


